‘A presença na chapa majoritária é um elemento importante mas não o único’, diz novo presidente estadual do PT sobre as eleições no Rio de Janeiro em 2026

Foto: Divulgação

Há um mês, Diego Zeidan foi eleito o novo presidente estadual do PT no Rio de Janeiro. O cargo é uma novidade. A vida política, não. O jovem de 27 anos é filho de de Washington Quaquá com a deputada Zeidan, ambos lideranças importantes no Partido dos Trabalhadores.

Desde criança vivenciando esse universo, Diego foi secretário de economia solidária de Maricá e também ocupou a cadeira de vice-prefeito do município. Estudou administração e a família orgulha-se do histórico do jovem em escolas públicas do Rio de Janeiro.

Diego Zeidan deu uma entrevista exclusiva ao DIÁRIO DO RIO, na qual falou sobre os planos do PT para o pleito eleitoral do ano que vem, da relação do partido com as bases históricas, de pautas do momento, como o fim da escala 6×1, entre outros assuntos.

DIÁRIO DO RIO: Quais as principais plataformas da nova gestão estadual do PT? O que é prioridade?

Diego Zeidan: Nossa prioridade é levar o PT de volta para as bases, com foco nos territórios, periferias, favelas, na juventude, nos movimentos sociais e na classe trabalhadora. Vamos investir fortemente em formação política, organização de base, comunicação popular e diálogo direto com as periferias urbanas e os setores produtivos do campo e da cidade. Também vamos aprofundar a unidade política, defendendo um projeto popular para o Rio de Janeiro, conectado com o projeto nacional liderado pelo presidente Lula.

DDR: Muito se fala sobre a esquerda ter perdido o contato mais intenso com as camadas populares da sociedade. O que a nova gestão estadual do PT pensa sobre isso e o que pode ser feito para melhorar essa situação?

Diego Zeidan: Essa é uma crítica justa e que precisamos enfrentar com autocrítica e ação concreta. A nova gestão quer um PT de portas abertas, com os pés na rua e o ouvido nos territórios. Vamos retomar o diálogo direto com o povo, fortalecer núcleos de base, usar a comunicação digital como ferramenta de mobilização e valorizar a escuta ativa com movimentos, comunidades religiosas e trabalhadores informais. Não basta falar em nome do povo é preciso estar com ele, lado a lado.

DDR: O PT nunca foi dominante na esquerda fluminense. No entanto, já teve (e ainda tem) nomes muito fortes, inclusive em grupos conservadores nos costumes, como os cristãos (católicos e evangélicos). Porém, nas últimas eleições, esses grupos votaram em maioria no bolsonarismo. Como trazer a esquerda petista de volta ao campo religioso do Rio de Janeiro?

Diego Zeidan: A fé não é monopólio de nenhum campo político. A nova direção estadual vai construir uma relação de respeito e diálogo com o campo religioso. Já existem lideranças evangélicas e católicas no PT atuando nos territórios e nas comunidades. Nosso papel é fortalecer esses vínculos, mostrando que o compromisso com a justiça social, o combate à fome, a defesa da dignidade humana e a luta contra o racismo e a violência são valores cristãos. Vamos disputar corações e mentes sem preconceito, com diálogo e presença.

DDR: E em relação aos trabalhadores sindicalizados, o PT tem um longo histórico ao lado dos petroleiros, bancários. Esse cenário mudou com a crise na Petrobras e a reforma trabalhista. Ainda dá para recuperar essa força sindical, ou de outras organizações de trabalhadores, e transformar isso em votos e apoio nas ruas no Rio de Janeiro?

Diego Zeidan: Claro que sim. O movimento sindical continua sendo um pilar estratégico do projeto democrático-popular. Vamos investir na reaproximação com todas as centrais sindicais, respeitando sua autonomia, e ajudando a fortalecer as lutas por direitos, valorização salarial e combate à precarização. A força do sindicalismo pode e deve se traduzir em mobilização popular e também em votos. O que mudou foi a forma – hoje precisamos de novas linguagens, mais capilaridade e escuta. Mas a aliança com os trabalhadores segue inegociável.

DDR: Qual será a posição da nova gestão estadual do PT diante da pauta pelo fim da escala 6×1?

Diego Zeidan: Somos favoráveis à revisão do modelo 6×1, que afeta a qualidade de vida de milhares de trabalhadores, especialmente do setor de comércio e serviços. Essa pauta precisa ser enfrentada com responsabilidade, diálogo com sindicatos e empregadores, e com base em estudos que apontem alternativas viáveis. Mas o ponto de partida é simples: ninguém pode viver para trabalhar. O trabalho deve ser um direito com dignidade.

DDR: A eleição para governador, do ano que vem, tem tudo para ter, novamente, um debate nacionalizado. Como o PT do Rio de Janeiro está analisando esse processo pré-eleitoral?

Diego Zeidan: Sabemos que o Rio tem papel estratégico no cenário nacional. Vamos atuar com responsabilidade política, em sintonia com a direção nacional do partido e com o presidente Lula. Defendemos uma frente democrática no estado, que enfrente o bolsonarismo, recupere a capacidade de investimento do estado e priorize políticas públicas para o povo fluminense. Particularmente gostaria que Eduardo Paes fosse nosso candidato com Fabiano Horta como vice, mas isso ainda é muito cedo para decidirmos. Queremos formar um palanque amplo para o Presidente Lula aqui no estado, por isso a decisão será tomada de forma coletiva, e tenho certeza que vamos escolher o melhor caminho para derrotar o projeto conservador que ainda reside no Rio.

DDR: No evento que anunciou o senhor na presidência estadual do PT, Washington Quaquá, seu pai, disse que o partido está com Eduardo Paes, mas pode lançar candidatura própria ao Governo do Estado do Rio de Janeiro dependendo de alguns fatores. Quais seriam as condições para o Partido dos Trabalhadores ser cabeça de chapa no RJ em 2026?

Diego Zeidan: O mais importante, neste momento, é manter a unidade do campo progressista. Mas o PT está se preparando para qualquer cenário. A candidatura própria será considerada caso haja uma conjuntura favorável, com apoio de movimentos sociais, base partidária e aliados históricos. Se isso representar o caminho mais eficaz para derrotar o bolsonarismo e garantir um governo popular, o PT estará pronto. O debate será feito com responsabilidade e escuta ampla.

DDR: Existem parlamentares do partido que não concordam com a aliança com Eduardo Paes. Como vai ser esse diálogo?

Diego Zeidan: O PT é um partido democrático e plural. As divergências fazem parte da nossa tradição e são saudáveis quando baseadas no respeito e no projeto comum. Vamos promover o diálogo interno, ouvir todas as posições e construir unidade a partir da diversidade. A nova direção quer ouvir mais do que impor, e atuar para que o partido caminhe coeso nas grandes batalhas políticas.

DDR: O PT apoiaria Eduardo Paes mesmo sem ter o vice da chapa na eleição para governador, ano que vem?

Diego Zeidan: Ainda é cedo para definir a composição da chapa. O apoio do PT dependerá de um projeto programático comum, do compromisso com pautas populares e do respeito ao nosso tamanho político e à importância histórica do partido. A presença na chapa majoritária é um elemento importante, mas não é o único. O fundamental é garantir um palanque forte para o presidente Lula no Rio e um governo comprometido com a reconstrução do estado.

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