Nesta segunda-feira (5), um vídeo em formato de live no Instagram provocou uma grande polêmica na cidade de Tijucas. A transmissão foi realizada por Rafael Elizandro, servidor efetivo do Samae (Serviço Autônomo Municipal de Água e Esgoto), que usou a plataforma para fazer um longo desabafo, ao lado de outros colegas, contra a atual gestão municipal.
Na live, que ultrapassou 50 minutos, Rafael denunciou o que chamou de “injustiça” cometida contra ele e outros servidores, que teriam sido afastados ou demitidos sob a acusação de sabotagem no sistema de abastecimento de água durante as enchentes registradas em janeiro deste ano.
Segundo ele, o grupo foi apontado como responsável por fechar registros, o que teria provocado a interrupção no fornecimento em diversos bairros da cidade.
“Quero ver quem é que tem coragem de mostrar que a gente fez isso. Se tiver prova, se tiver foto, eu peço demissão agora. Mas não tem. É mentira. Estão usando a gente como bode expiatório por um problema antigo”, afirmou o servidor, visivelmente abalado.
Rafael também dirigiu críticas diretas ao prefeito de Tijucas.
Ele disse ter apoiado o gestor nas eleições, inclusive entrando em conflito com familiares para isso, e se declarou traído por não ter tido a chance de se defender. Conforme o servidor, as acusações teriam sido reforçadas durante um discurso na Festa do Trabalhador, o que ampliou a repercussão negativa sobre ele e seus colegas. “Fui humilhado em praça pública, sem poder falar nada. Hoje não consigo nem ir ao mercado com minha filha que alguém já me olha torto”, desabafou.
Além das críticas ao prefeito, Rafael relatou episódios de vigilância e perseguição, afirmando que câmeras foram instaladas nas imediações dos registros da rede de água, com o objetivo de monitorar a equipe.
De acordo com ele, a estrutura do Samae é antiga e a falta de abastecimento decorre principalmente da precariedade da rede, e não de ações intencionais por parte dos servidores.
Durante a transmissão, outros funcionários também participaram do desabafo, reafirmando que sempre trabalharam de forma honesta e que nunca pensaram em prejudicar a população. Eles relataram situações de trabalho em condições adversas, como consertos de madrugada em redes estouradas, e disseram que, mesmo afastados, os problemas no abastecimento continuaram, o que seria uma prova de que não eram os culpados.
Rafael afirmou que só voltará a realizar trabalhos externos caso haja uma retratação pública por parte da gestão municipal. Disse ainda que sua saúde mental foi afetada e que passou meses isolado dentro de casa. “A gente só quer justiça. Só queremos limpar nosso nome. E que o prefeito tenha a dignidade de reconhecer que errou”, concluiu.
O Jornal Razão entrou em contato com a Prefeitura de Tijucas em busca de um posicionamento sobre as declarações feitas na live e aguarda retorno.
