Alerj discute ações de suporte para a ‘Ilha dos Gatos’ em Mangaratiba

Gatos estão sem água e comida. Foto: Reprodução do Facebook

Nesta quinta-feira (4), a Comissão do Cumpra-se, da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj), se reuniu em audiência pública para discutir sobre a situação da Ilha Furtada, ou “Ilha dos Gatos”, em Mangaratiba. O local é conhecido pelo abandono de felinos, que vivem isolados, sem manejo adequado, sem cuidados veterinários ou alimentação regular.

No encontro, o colegiado adiantou que que pretende apresentar emendas ao orçamento da Casa para destinar recursos ao monitoramento da ilha e combate ao abandono de animais no local.

Além dos problemas relacionados ao sofrimento dos felinos, a presença dos gatos produz desequilíbrio ambiental, pois suas fezes podem disseminar Toxoplasma gondii, parasita responsável pela toxoplasmose, que ao atingir o solo e a água, pode ser levado pela chuva até o mar, gerando contaminação da fauna silvestre e do ecossistema marinho.

Sobre o “abandono e da falta de responsabilidade” para com os animais, o presidente da Comissão, deputado Carlos Minc (PSB), afirmou: “Precisamos enfrentar o problema de imediato, mas também usar este episódio para conscientizar sobre os danos ambientais decorrentes do abandono e da falta de responsabilidade”.

O deputado Marcelo Dino (União), presidente da Comissão de Defesa dos Animais, afirmou que a situação da Ilha dos Gatos exige uma atuação técnica e articulada: “É fundamental avançar com medidas responsáveis e apoio de especialistas, para garantir uma intervenção segura e que realmente minimize o sofrimento dos animais”, disse Dino, lembrando que os felinos são selvagens, se reproduzem descontroladamente e não podem ser manejados de forma improvisada.

Jáo subsecretário de Meio Ambiente de Mangaratiba, Adilson Câmara, destacou que, apesar de a cidade realizar a área, os recursos financeiros são limitados para ampliação das ações. O secretário afirmou que o governo tem buscado novas embarcações e parcerias com a Polícia Federal:

Apesar dos esforços, ainda precisamos de mais estrutura para garantir uma atuação efetiva, e isso só será possível com a união dos órgãos envolvidos. Somando forças, conseguiremos dar uma resposta adequada à região”, complementou.

A diretora do Instituto de Ciência e Tecnologia em Biomodelos (ICTB), da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), Carla Campello, ressaltou que o caso ultrapassa a compaixão para com os animais e exige uma mudança cultural na forma como a sociedade lida com os bichos e com o meio ambiente:

“Este episódio mostra, de forma prática, como a saúde humana, animal e ambiental são interligadas, e evidencia a urgência de abandonar a ideia de que os animais podem ser descartados. Precisamos avançar para uma cultura que reconheça essa conexão e responda às crises planetárias que vivemos”, comentou.

*Imagem meramente ilustrativa.

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