
A Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) instalou mais uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI), desta vez para investigar a atuação de sistemas de câmeras de monitoramento em locais públicos e as denúncias de cobrança de resgate por veículos roubados ou furtados no estado. A decisão foi publicada no Diário Oficial desta segunda-feira (16).
A criação da CPI é de autoria do deputado Alexandre Knoploch (PL), que também deve assumir a presidência dos trabalhos. O parlamentar, que recentemente reforçou sua posição na base governista, terá como aliados no colegiado outros nomes do grupo do presidente da Alerj, Rodrigo Bacellar, como Filippe Poubel (PL), Marcelo Dino (União Brasil) e Rodrigo Amorim (União Brasil). Completam a comissão o decano da Casa, Luiz Paulo (PSD), além dos suplentes Renan Jordy (PL), Professor Josemar (PSOL) e Thiago Rangel (PMB).
Um dos focos centrais da CPI será o sistema de monitoramento conhecido como “Gabriel”, que opera com câmeras espalhadas por diversos pontos do Rio. Segundo Knoploch, há suspeitas de falta de transparência quanto às autorizações formais e aos critérios legais usados para a instalação desses equipamentos em vias públicas.
O outro eixo da investigação mira cooperativas que atuam na recuperação de veículos roubados. De acordo com denúncias, essas organizações estariam cobrando valores indevidos para devolver os carros aos donos, configurando um verdadeiro esquema de resgate ilegal.
Em maio, a Polícia Civil já havia deflagrado uma operação para desarticular uma quadrilha suspeita de movimentar mais de R$ 11 milhões em menos de um ano, atuando justamente na cobrança de devoluções de veículos. As investigações apontam que o grupo esteve envolvido na recuperação de mais de 1.600 veículos, sempre mediante pagamento.
No pedido que fundamenta a abertura da CPI, Knoploch também levanta suspeitas sobre o uso das imagens captadas pelos sistemas de câmeras. Segundo ele, há indícios de que esses dados estariam sendo utilizados por organizações criminosas, milícias e até para fins políticos, o que acende um alerta sobre a privacidade e o uso indevido das informações coletadas.
A comissão já está oficialmente criada e deve iniciar os trabalhos nas próximas semanas, com a convocação de testemunhas, autoridades e representantes das empresas responsáveis pelos sistemas e pelas cooperativas sob investigação.
