Ao lado de Boric e Sánchez, Lula pergunta ‘onde a esquerda errou’

Em um encontro com chefes de Estado ligados à esquerda nesta quarta-feira, 24, na sede da ONU, presidente Luiz Inácio Lula da Silva narrou orgulhosamente a criação do Foro de São Paulo e alertou para a necessidade de conter o “avanço da extrema direita”. A segunda reunião “Em Defesa da Democracia, Combatendo Extremismos” também teve a presença do presidente do Chile, Gabriel Boric, e do primeiro-ministro da Espanha, Pedro Sánchez.

O petista lembrou sua trajetória política, desde a juventude, como operário metalúrgico, até a disputa presidencial de 1989, quando, segundo ele, percebeu que a esquerda poderia chegar ao poder e convocou o Foro de São Paulo. “Eu descobri que era necessário fazer política sem ler nenhuma palavra sobre leninismo, sobre marxismo, sobre maoismo”, contou. “Eu não tenho a tradição e a cultura de ser um militante de esquerda tradicional.”

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O Foro, criado no início dos anos 1990, surgiu para unificar os partidos de esquerda na América Latina, que viviam divididos e eram até rivais entre si, segundo Lula. “A República Dominicana tinha 15 organizações de esquerda. A Argentina tinha 20, e ninguém falava com ninguém. Todo mundo era inimigo de todo mundo.” No encontro, “nós discutimos a necessidade de todo mundo voltar a fazer política”, acrescentou o petista. 

Lula critica abandono da militância radical

Além de falar sobre o passado, Lula também fez considerações sobre o presente. “O que me importa hoje é a gente responder, para nós mesmos, aonde [sic] é que os democratas erraram? Aonde [sic] é o momento que a esquerda errou? Por que nós permitimos que a extrema direita crescesse com a força que está crescendo? É virtude deles ou é incompetência nossa?”

Ele criticou governos de esquerda que, segundo ele, chegam ao poder com discurso popular, mas acabam cedendo a outros interesses. “Muitas vezes a gente governa dando resposta ao que a imprensa publica sobre nós, à cobrança do mercado, à necessidade de contentar o mercado, à necessidade de contentar os adversários.”

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Lula e Fidel Castro, arquitetos do Foro de São Paulo | Foto: Antônio Milena/Agência Brasil

O petista falou também sobre o que considera um abandono dos aliados. “Muitas vezes, os nossos eleitores que foram para a rua, que apanharam, que foram xingados são considerados por nós sectários radicais”, afirmou. “Esse é o fracasso da democracia.”

Por fim, Lula disse que, se a esquerda não encontrar respostas para as perguntas que levantou em seu discurso, “a gente vai continuar sendo sufocado pelo negacionismo, pelo extremismo e pelo discurso fascista que nós estamos vivendo.”





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