

Dois dias após a prisão do deputado estadual Rodrigo Bacellar (União), presidente da Alerj, o governador Cláudio Castro se manifestou pela primeira vez sobre o caso. Em nota divulgada pelo Palácio Guanabara nesta sexta-feira, Castro afirmou manter “confiança na condução técnica e imparcial do Supremo Tribunal Federal e da Polícia Federal”, responsáveis pela investigação que levou à prisão do parlamentar.
A prisão preventiva de Bacellar foi decretada pelo ministro Alexandre de Moraes, que atendeu a uma representação da Polícia Federal. A PF apontou que o deputado teria vazado informações sigilosas da Operação Zargun ao então deputado TH Jóias (MDB), preso em 3 de setembro por suspeita de ligação com o Comando Vermelho.
“Acompanho os fatos, ocorridos na quarta-feira (03/12), com a devida atenção institucional. Rodrigo Bacellar é chefe do Poder Legislativo do Rio de Janeiro e é necessário garantir o direito ao devido processo legal”, diz a nota atribuída ao governador.
Questionamentos do STF a órgãos do Executivo
A decisão de Moraes também levantou questionamentos sobre três órgãos estaduais: o Proderj, a Secretaria de Planejamento e Gestão (responsável pelo SEI-RJ) e a Imprensa Oficial (Ioerj), encarregada do Diário Oficial. O STF solicitou registros detalhados — logs de acesso, horários, assinaturas e documentos — relacionados à exoneração de Rafael Picciani, então secretário de Esporte e Lazer, ocorrida no mesmo dia da prisão de TH Jóias.
Para a PF, essa movimentação configurou uma “célere manobra regimental”, interpretada como tentativa de dissociar a imagem da Alerj do investigado. No relatório, a corporação indicou “forte indício de que o vazamento de informações pode ter tido como objetivo primário a proteção de agentes políticos aliados à organização criminosa”.
Castro afirmou que todos os esclarecimentos solicitados foram enviados ao STF. “Os esclarecimentos solicitados pelo STF ao Executivo já foram respondidos, reafirmando nosso compromisso com a legalidade, a transparência e o pleno funcionamento das instituições”, disse o governador.
Medidas cautelares e novos alvos da operação
Além de Bacellar, Moraes determinou medidas cautelares contra Thárcio Nascimento Salgado, assessor que, segundo a PF, teria ajudado TH Jóias a se esconder na véspera da operação. Mensagens coletadas pela investigação mostram o assessor repassando o bloco e o número do apartamento onde o deputado acabou detido, na Barra Olímpica.
A decisão do STF também determinou buscas em endereços ligados a Bacellar, em Botafogo, no Centro, em Campos dos Goytacazes e Teresópolis, além dos endereços de Thárcio, em Mangaratiba, e do próprio TH Jóias, já preso, em apartamento no Recreio dos Bandeirantes.
A PGR reforçou a necessidade da prisão preventiva ao apontar risco à ordem pública, possibilidade de fuga e eventual intimidação de testemunhas. O entendimento do órgão é de que medidas alternativas seriam insuficientes “para conter o perigo apresentado à instrução processual e à aplicação da lei penal”.
Com o afastamento de Bacellar da presidência da Alerj, o impacto político da operação continua em avaliação, enquanto o governo estadual tenta isolar o caso sob o argumento de que confia no trabalho das instituições.
