

A megaoperação conjunta das polícias Civil e Militar, que resultou em 121 mortes ( entre elas a de quatro agentes), teve reflexos diretos no cenário político do Rio de Janeiro. O governador Cláudio Castro (PL) ganhou o aval da cúpula nacional do partido para disputar uma vaga no Senado em 2026, em uma possível dobradinha com o senador Flávio Bolsonaro (PL).
Segundo dirigentes da legenda, o presidente do PL, Valdemar Costa Neto, e o ex-presidente Jair Bolsonaro avaliam que Castro saiu politicamente fortalecido ao adotar uma postura de defesa dos policiais e se consolidou como nome viável para a disputa.
Até então, havia resistência interna em torno de sua candidatura, principalmente por causa dos processos que o governador responde em tribunais superiores e do desejo de Bolsonaro de liderar uma frente crítica ao Supremo Tribunal Federal (STF).
Alinhamento com o bolsonarismo e palanque ampliado
Na leitura da cúpula partidária, contudo, Castro se alinhou de forma definitiva aos valores e discursos do bolsonarismo. Além disso, o fato de ser governador é considerado estratégico: sua presença na chapa abriria palanques em mais municípios fluminenses, ampliando o alcance de Flávio Bolsonaro.
Apesar do fortalecimento, dirigentes ponderam que Castro ainda não é tratado como “eleito antecipadamente”. Ele deve enfrentar uma disputa acirrada com um candidato de centro-esquerda, que deve ser lançado pela oposição estadual.
PL aposta em reforço da “bancada da bala”
A megaoperação também serviu para definir parte da estratégia eleitoral do PL para 2026. O partido de Jair Bolsonaro pretende reforçar a chamada “bancada da bala”, priorizando candidatos ligados às forças de segurança.
Na disputa pela Câmara dos Deputados, a legenda deve apostar em nomes como o coronel Fernando Príncipe Martins, ex-comandante do Bope, e o sargento Nei Machado, conhecido nas redes sociais como “Batata da Madsen”.
Na Assembleia Legislativa do Rio (Alerj), a meta é reeleger e ampliar o grupo de parlamentares da base de Castro. Entre os integrantes estão Rodrigo Amorim, Alexandre Knoploch, Índia Armelau, Felipe Poubel, Alan Lopes, Renan Jordy, Douglas Gomes e Marcelo Dino — todos alinhados às pautas de segurança pública.
O partido também pretende lançar novos nomes, como o ex-atirador de elite do Bope conhecido como Sub Honório, que acumula seguidores nas redes sociais. A policial Monique Busson foi sondada para disputar uma cadeira na Alerj, mas ainda não confirmou se aceitará o convite.
Pesquisa aponta apoio popular às operações em favelas
O investimento político nessa pauta se apoia em números recentes. Um levantamento da AtlasIntel mostrou que 87,6% dos moradores de favelas do Rio e 80,9% dos moradores de comunidades em todo o país aprovam as ações policiais contra o Comando Vermelho.
No Rio, apenas 12,1% desaprovaram a megaoperação, enquanto 0,3% não souberam opinar. Já sobre o impacto da ação, 51,7% dos cariocas consideraram que o alto número de mortos representa uma forma eficaz de combater o crime organizado. Outros 42% dos brasileiros, no entanto, enxergaram a operação como uma tentativa de ganho político.
A pesquisa, feita de forma digital entre os dias 29 e 30 de outubro, ouviu 1.089 pessoas. A margem de erro é de três pontos percentuais, com nível de confiança de 95%. Fonte: Agenda do Poder
