As perspectivas do mercado e do governo sobre a economia em 2026

O ano de 2026 será decisivo para o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Na etapa final do mandato, o Planalto sabe que o desempenho da economia será peça central tanto para a sustentação política do próprio governo quanto para a construção do palanque eleitoral de Lula e dos candidatos governistas.

Dentro e fora do governo, cresce a expectativa de que 2026 será um ano em que resultados econômicos e coordenação política andarão juntos.

Desde 2023, Lula e a equipe econômica apostaram em uma estratégia de reconstrução institucional, reativação de investimentos públicos e retomada do consumo interno. Ao mesmo tempo, procuraram demonstrar compromisso com responsabilidade fiscal por meio do novo arcabouço e da promessa de reequilibrar as contas públicas.

O desafio, agora, é mostrar resultados consistentes em um ano marcado por campanhas, decisões orçamentárias sensíveis e um Congresso Nacional mais fragmentado e assertivo nas negociações.

A percepção no Palácio de Planalto é que se indicadores como inflação, renda, emprego e ritmo de crescimento continuarem favoráveis, o governo terá um discurso robusto para vender em 2026. Lula já sinalizou que pretende colocar a economia “no centro do debate”, destacando avanços como inflação dentro da meta, reestruturação de programas sociais e de crédito e a melhora no mercado de trabalho.

Desafio das metas fiscais

Um dos pontos de maior tensão entre o governo e o mercado financeiro é a trajetória das contas públicas. O arcabouço fiscal estabeleceu metas ousadas, especialmente para 2026, quando a Fazenda se comprometeu a entregar um superávit primário de 0,25% do PIB, cerca de R$ 34 bilhões.

Para o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, não existe possibilidade de alterar a meta fiscal, que, de acordo com ele, será cumprida. O ministro reforça que a combinação de revisão de gastos, aumento de eficiência arrecadatória e medidas já enviadas ao Congresso permitirá alcançar os resultados previstos.

No entanto, dentro do próprio governo, há vozes mais cautelosas. A ministra do Planejamento, Simone Tebet, já classificou publicamente a meta de 2026 como “desafiadora”, justamente por parte do esforço fiscal depender de votações sensíveis, e ainda incertas, no Congresso.

No mercado financeiro, a percepção majoritária é de que a meta pode ser cumprida, mas com muita dificuldade. Analistas avaliam que o governo ainda não apresentou um plano suficientemente detalhado de corte de despesas e que o espaço para aumento de receita em 2026 é limitado.

Os ministros Fernando Haddad e Simone Tebet
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Os ministros Fernando Haddad e Simone Tebet

KEBEC NOGUEIRA/METRÓPOLES @kebecfotografo

Gabriel Galípolo e Fernando Haddad
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Gabriel Galípolo e Fernando Haddad

VINÍCIUS SCHMIDT/METRÓPOLES @vinicius.foto

Ministro da Fazenda, Fernando Haddad
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Ministro da Fazenda, Fernando Haddad

Hugo Barreto/Metrópoles

Ministra do Planejamento e Orçamento, Simone Tebet
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Ministra do Planejamento e Orçamento, Simone Tebet

KEBEC NOGUEIRA/METRÓPOLES @kebecfotografo

O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo
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O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo

Breno Esaki/Metrópoles @BrenoEsakiFoto

Ministro da Fazenda, Fernando Haddad
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Ministro da Fazenda, Fernando Haddad

VINÍCIUS SCHMIDT/METRÓPOLES @vinicius.foto

Inflação e juros

A perspectiva do mercado para 2026 inclui um cenário de inflação ainda controlada, mas sujeito ao ritmo das contas públicas e à política monetária do Banco Central (BC). A expectativa predominante é que, com a desaceleração econômica global e a normalização de cadeias produtivas, a inflação brasileira siga abaixo de 4%.

O governo trabalha com projeção de inflação de 3,6%, dentro do intervalo de tolerância. A meta de inflação é de 3% ao ano, com banda de tolerância de 1,5% para cima ou para baixo.

Do lado dos juros, economistas esperam que o ciclo de cortes possa ganhar ritmo em 2026, dependendo do grau de confiança nas contas públicas e do comportamento da atividade econômica. O governo estima uma Selic de 13% ao fim do ano, mas parte do mercado projeta algo menor, 12,25%.

No entanto, para o professor de economia Marcos Calil, da Strong Business School, o comportamento do mercado de trabalho e choques de oferta globais (commodities, energia) também podem reaquecer a inflação se ocorrerem surpresas, o que dificultaria um ciclo longo de redução dos juros.

“O mercado já precifica o início do ciclo de afrouxamento monetário no começo de 2026. Para os mais otimistas, o corte poderá ocorrer logo no início dos dois primeiros meses do ano, caso a inflação continue nos próximos relatórios. Entretanto, o cenário desafiador característico em ano eleitoral e o cenário fiscal podem adiar o cenário de cortes de juros”, explica.


PIB, emprego e renda

O governo prevê um crescimento do PIB de 2,4%, sustentado por:

  • Expansão moderada do consumo;
  • Melhora do investimento público e privado;
  • Política industrial focada em reindustrialização verde;
  • Programas voltados para crédito e inclusão produtiva.

Apesar de um ambiente internacional desafiador, analistas reconhecem que a economia brasileira tem mostrado resiliência. O mercado de trabalho segue aquecido, e a massa salarial real cresceu ao longo de 2025, fatores que impactam diretamente a percepção popular sobre a economia.

“Num passado recente, apesar do mercado de trabalho permanece resiliente, já ocorrem sinais de esfriamento moderado. As perspectivas indicam que a taxa de desemprego, que atingiu mínimas históricas em 2024, tende a subir ligeiramente em 2026”, diz Marcos Calil.

O professor de economia afirma ainda, que entre os riscos domésticos mais citados por bancos para 2026 estão a deterioração fiscal, dificuldades de aprovar medidas estruturais e choques de receitas tributárias, sendo que a maior parte deles está ligado ao período eleitoral.


Negociações com o Congresso Nacional

Nenhuma previsão para 2026 pode ignorar a relação do governo com o Congresso. A disputa por recursos, as pressões de categorias organizadas e a proximidade das eleições tendem a tornar as negociações ainda mais difíceis.

Parlamentares devem adotar postura mais rígida, e medidas fiscais impopulares — como aumento de qualquer imposto — tendem a sofrer resistência. A governabilidade em 2026 dependerá de articulação fina e de concessões políticas relevantes.

Tanto o governo quanto o mercado sabem que expectativas moldam decisões econômicas e, portanto, influenciam o próprio resultado da economia.

O desempenho de 2026 terá impacto direto não apenas na sucessão presidencial, mas também na percepção do país por investidores, agências de risco e pela população.

Para o professor Marcos Calil, as expectativas para 2026 são moderadas, por um lado há otimismo pragmático, com expectativas de inflação em queda, sinais de arrefecimento da atividade que favorecem cortes de juros e índices de confiança que subiram recentemente. Por outro, prevalece cautela diante dos riscos fiscais e políticos.



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O ano de 2026 será decisivo para o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Na etapa final do mandato, o Planalto sabe que o desempenho da economia será peça central tanto para a sustentação política do próprio governo quanto para a construção do palanque eleitoral de Lula e dos candidatos governistas.

Dentro e fora do governo, cresce a expectativa de que 2026 será um ano em que resultados econômicos e coordenação política andarão juntos.

Desde 2023, Lula e a equipe econômica apostaram em uma estratégia de reconstrução institucional, reativação de investimentos públicos e retomada do consumo interno. Ao mesmo tempo, procuraram demonstrar compromisso com responsabilidade fiscal por meio do novo arcabouço e da promessa de reequilibrar as contas públicas.

O desafio, agora, é mostrar resultados consistentes em um ano marcado por campanhas, decisões orçamentárias sensíveis e um Congresso Nacional mais fragmentado e assertivo nas negociações.

A percepção no Palácio de Planalto é que se indicadores como inflação, renda, emprego e ritmo de crescimento continuarem favoráveis, o governo terá um discurso robusto para vender em 2026. Lula já sinalizou que pretende colocar a economia “no centro do debate”, destacando avanços como inflação dentro da meta, reestruturação de programas sociais e de crédito e a melhora no mercado de trabalho.

Desafio das metas fiscais

Um dos pontos de maior tensão entre o governo e o mercado financeiro é a trajetória das contas públicas. O arcabouço fiscal estabeleceu metas ousadas, especialmente para 2026, quando a Fazenda se comprometeu a entregar um superávit primário de 0,25% do PIB, cerca de R$ 34 bilhões.

Para o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, não existe possibilidade de alterar a meta fiscal, que, de acordo com ele, será cumprida. O ministro reforça que a combinação de revisão de gastos, aumento de eficiência arrecadatória e medidas já enviadas ao Congresso permitirá alcançar os resultados previstos.

No entanto, dentro do próprio governo, há vozes mais cautelosas. A ministra do Planejamento, Simone Tebet, já classificou publicamente a meta de 2026 como “desafiadora”, justamente por parte do esforço fiscal depender de votações sensíveis, e ainda incertas, no Congresso.

No mercado financeiro, a percepção majoritária é de que a meta pode ser cumprida, mas com muita dificuldade. Analistas avaliam que o governo ainda não apresentou um plano suficientemente detalhado de corte de despesas e que o espaço para aumento de receita em 2026 é limitado.

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O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo
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O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo

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Inflação e juros

A perspectiva do mercado para 2026 inclui um cenário de inflação ainda controlada, mas sujeito ao ritmo das contas públicas e à política monetária do Banco Central (BC). A expectativa predominante é que, com a desaceleração econômica global e a normalização de cadeias produtivas, a inflação brasileira siga abaixo de 4%.

O governo trabalha com projeção de inflação de 3,6%, dentro do intervalo de tolerância. A meta de inflação é de 3% ao ano, com banda de tolerância de 1,5% para cima ou para baixo.

Do lado dos juros, economistas esperam que o ciclo de cortes possa ganhar ritmo em 2026, dependendo do grau de confiança nas contas públicas e do comportamento da atividade econômica. O governo estima uma Selic de 13% ao fim do ano, mas parte do mercado projeta algo menor, 12,25%.

No entanto, para o professor de economia Marcos Calil, da Strong Business School, o comportamento do mercado de trabalho e choques de oferta globais (commodities, energia) também podem reaquecer a inflação se ocorrerem surpresas, o que dificultaria um ciclo longo de redução dos juros.

“O mercado já precifica o início do ciclo de afrouxamento monetário no começo de 2026. Para os mais otimistas, o corte poderá ocorrer logo no início dos dois primeiros meses do ano, caso a inflação continue nos próximos relatórios. Entretanto, o cenário desafiador característico em ano eleitoral e o cenário fiscal podem adiar o cenário de cortes de juros”, explica.


PIB, emprego e renda

O governo prevê um crescimento do PIB de 2,4%, sustentado por:

  • Expansão moderada do consumo;
  • Melhora do investimento público e privado;
  • Política industrial focada em reindustrialização verde;
  • Programas voltados para crédito e inclusão produtiva.

Apesar de um ambiente internacional desafiador, analistas reconhecem que a economia brasileira tem mostrado resiliência. O mercado de trabalho segue aquecido, e a massa salarial real cresceu ao longo de 2025, fatores que impactam diretamente a percepção popular sobre a economia.

“Num passado recente, apesar do mercado de trabalho permanece resiliente, já ocorrem sinais de esfriamento moderado. As perspectivas indicam que a taxa de desemprego, que atingiu mínimas históricas em 2024, tende a subir ligeiramente em 2026”, diz Marcos Calil.

O professor de economia afirma ainda, que entre os riscos domésticos mais citados por bancos para 2026 estão a deterioração fiscal, dificuldades de aprovar medidas estruturais e choques de receitas tributárias, sendo que a maior parte deles está ligado ao período eleitoral.


Negociações com o Congresso Nacional

Nenhuma previsão para 2026 pode ignorar a relação do governo com o Congresso. A disputa por recursos, as pressões de categorias organizadas e a proximidade das eleições tendem a tornar as negociações ainda mais difíceis.

Parlamentares devem adotar postura mais rígida, e medidas fiscais impopulares — como aumento de qualquer imposto — tendem a sofrer resistência. A governabilidade em 2026 dependerá de articulação fina e de concessões políticas relevantes.

Tanto o governo quanto o mercado sabem que expectativas moldam decisões econômicas e, portanto, influenciam o próprio resultado da economia.

O desempenho de 2026 terá impacto direto não apenas na sucessão presidencial, mas também na percepção do país por investidores, agências de risco e pela população.

Para o professor Marcos Calil, as expectativas para 2026 são moderadas, por um lado há otimismo pragmático, com expectativas de inflação em queda, sinais de arrefecimento da atividade que favorecem cortes de juros e índices de confiança que subiram recentemente. Por outro, prevalece cautela diante dos riscos fiscais e políticos.

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