Ativistas de esquerda invadem supermercados na Grande Florianópolis em protesto; entenda

Um supermercado localizado no bairro Santa Mônica, em São José, na Grande Florianópolis, foi invadido por manifestantes na manhã desta quinta-feira (10). A ação foi coordenada por militantes da Unidade Popular pelo Socialismo (UP) e do Movimento Luta de Classes (MLC), que realizaram panfletagem e discursos dentro do estabelecimento.


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Durante o ato, os manifestantes pediram o fim da chamada escala 6×1, que prevê seis dias consecutivos de trabalho com apenas um de descanso — regime previsto na legislação e aplicado em diversos setores com funcionamento contínuo. Também exigiram o aumento de 100% do salário mínimo e a redução dos preços dos alimentos, além de protestarem contra o que chamaram de “superexploração da classe trabalhadora”.

O grupo direcionou críticas à política fiscal brasileira, cobrando o fim das isenções tributárias para empresas do agronegócio e grandes redes varejistas. Segundo os militantes, essas empresas seriam responsáveis por concentrar lucros enquanto, nas palavras deles, “a fome avança sobre o povo pobre”.

Outra pauta levantada durante a manifestação foi o rompimento das relações diplomáticas e comerciais do Brasil com o Estado de Israel. Os participantes afirmaram que o governo brasileiro estaria “financiando o genocídio em Gaza”, ao manter acordos com Israel e com os Estados Unidos — países que, segundo eles, lucram com guerras e conflitos internacionais.

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A mobilização também citou dados da Auditoria Cidadã da Dívida, destacando que cerca de 43% do orçamento federal de 2024 foi destinado ao pagamento da dívida pública, enquanto pouco mais de 3% teria sido reservado para a educação. O número foi usado como argumento para reforçar a crítica ao modelo econômico adotado pelo governo.

Ainda durante o protesto, os organizadores defenderam a realização de greves gerais como estratégia para pressionar por mudanças estruturais no sistema de trabalho. O discurso incluiu a proposta de “construção do socialismo” como saída para a crise econômica e social.

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O ato terminou com abordagem a motoboys na região do shopping Villa Romana, local de outras ações recentes do grupo. Apesar da ocupação do supermercado, não houve registro de confronto ou intervenção policial durante a ação.

A manifestação ocorre em um momento em que o setor supermercadista enfrenta escassez de mão de obra. De acordo com a Confederação Nacional do Comércio (CNC), mais de 500 mil vagas seguem abertas em supermercados de todo o país, reflexo da dificuldade de contratação para atividades básicas. Representantes do setor apontam que jornadas como a 6×1 são previstas por lei e necessárias para manter o funcionamento contínuo dos serviços, especialmente em áreas essenciais como alimentação.



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