
A Comissão de Assuntos Urbanos da Câmara do Rio realizará nesta quinta-feira (03/04) uma audiência pública para debater a proposta de transformação do Parque Olímpico da Barra em um polo internacional de lazer, esporte e entretenimento. O projeto, que faz parte da Operação Urbana Consorciada (OUC) prevista no PLC 169/2024, prevê a concessão da área de 1,18 milhão de metros quadrados à empresa Rock World — a mesma responsável pelo Rock in Rio — em troca do direito de comercializar potencial construtivo em outros pontos da Barra da Tijuca. A empreitada, intitulada de Imagine, foi apresentada no período do festival, em setembro do ano passado.
O terreno seria transformado em um parque temático, com resort, anfiteatro, parque de diversões, museu e um hub criativo. Quando anunciado, o Projeto Imagine tinha a expectativa de gerar um impacto econômico de R$ 9,2 bilhões na cidade e criar mais de 140 mil empregos. O parque de eventos terá capacidade para 100 mil pessoas por dia e ocupará uma área de 385 mil metros quadrados, destinada a shows, eventos esportivos, culturais e corporativos.

Audiência
A audiência, que acontece no plenário do Palácio Pedro Ernesto a partir das 10h, contará com a presença de autoridades e especialistas, entre eles Ricardo Acto, COO da Rock World; Guilherme Schleder, secretário municipal de Esportes; Gustavo Gerrante, secretário de Desenvolvimento Urbano e Licenciamento; além de representantes do Conselho de Arquitetura e Urbanismo, da Caixa Econômica Federal e da Câmara Comunitária da Barra. O encontro será conduzido pelo vereador Pedro Duarte (Novo), presidente da Comissão, com participação dos vereadores Zico (PSD) e Átila Nunes (PSD).
A proposta da OUC surge como uma tentativa de dar uma nova função ao Parque Olímpico, que, oito anos após os Jogos de 2016, segue subutilizado. O modelo adotado permitiria à Rock World explorar o espaço por 360 meses, promovendo eventos e revitalizando a área, enquanto a venda de potencial construtivo ajudaria a custear a operação. No entanto, há uma série de incertezas que cercam o projeto.
Um dos principais questionamentos levantados por especialistas e parlamentares diz respeito à falta de estimativas concretas de custo para a implementação do parque. “O dono do futuro parque assumirá uma dívida de R$ 2,5 bilhões, mas não existe no projeto estimativa alguma de custo para implementação do parque. Também não há clareza sobre os investimentos de infraestrutura e mobilidade urbana necessários para absorver o impacto do adensamento previsto para a região”, alerta Pedro Duarte.
A mobilidade, aliás, é outro ponto de preocupação, já que a área conta hoje apenas com uma estação do BRT nas proximidades, e não há informações sobre investimentos para ampliar o acesso ao local.
Vale lembrar que o tema foi pauta de uma reunião técnica na Câmara do Rio na semana passada. O presidente da Câmara, Carlo Caiado, expressou preocupação com a ausência de contrapartidas sociais no projeto e com os impactos que a proposta pode gerar tanto no trânsito da região quanto em outras iniciativas urbanísticas em andamento, como a reforma do estádio de São Januário e o projeto do autódromo de Guaratiba.