Bacellar deve passar a noite na Superintendência da PF no Centro do Rio

O presidente da Assembleia Legislativa do Rio, Rodrigo Bacellar (União Brasil), deve passar a noite desta quarta-feira (03/11) na Superintendência da Polícia Federal, na Zona Portuária. O deputado foi preso pela PF durante a Operação Unha e Carne, que apura o vazamento de informações sigilosas da Operação Zargun, deflagrada em setembro, quando o então deputado TH Joias foi detido.

A prisão aconteceu logo pela manhã. O superintendente da PF no Rio, Fábio Galvão, chamou Bacellar para o que foi apresentado como uma reunião na sede da corporação, na Praça Mauá. O deputado aceitou o convite, dirigiu até o local e, antes mesmo de formalizar qualquer conversa, recebeu voz de prisão. O celular dele também foi apreendido. No carro em que chegou, agentes encontraram R$ 90 mil.

O mandado foi expedido pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, que determinou ainda o afastamento imediato de Bacellar da presidência da Alerj. Na decisão, Moraes diz haver “fortes indícios” de que o parlamentar atua para obstruir investigações envolvendo o crime organizado, com capacidade de influenciar órgãos do Executivo estadual.

A PF sustenta que Bacellar avisou TH Joias, na véspera da Operação Zargun, sobre a existência de mandados contra ele. Segundo os investigadores, o alerta levou o ourives a organizar uma mudança às pressas, com uso até de caminhão-baú, numa tentativa de esconder provas. TH — preso por tráfico, corrupção e lavagem de dinheiro, e suspeito de fornecer armas ao Comando Vermelho — perdeu o mandato logo após ser detido. No dia da operação, o Ministério Público já apontava indícios de vazamento ao relatar que o parlamentar deixou seu condomínio por volta das 21h40, com a casa completamente revirada. Ele foi encontrado horas depois, na residência de um amigo na Barra da Tijuca.

Além da prisão de Bacellar, Moraes autorizou oito mandados de busca e apreensão, incluindo o gabinete do deputado na Alerj. Há ainda um mandado de intimação para cumprimento de medidas cautelares relacionadas à investigação.

A ação desta quarta-feira está alinhada às determinações do STF no julgamento da ADPF das Favelas, que ampliou o escopo de apuração da PF sobre grupos criminosos violentos no estado e suas conexões com agentes públicos.

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