Bacellar diz à PF que não avisou autoridades sobre movimentação de TH Jóias: ‘Não tô aqui para entregar colega’

O presidente da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj), Rodrigo Bacellar (União Brasil), afirmou à Polícia Federal que não comunicou às autoridades a movimentação de Tiego Raimundo dos Santos Silva, o deputado estadual TH Jóias, na véspera de uma operação contra ele. Segundo revelou o Fantástico, da TV Globo, neste domingo, Bacellar recebeu do colega um vídeo que mostrava um freezer cheio de carnes e a mensagem de que “não teria como levar”.

Não tô aqui para entregar colega. Não tô aqui para proteger colega também que faz nada errado”, disse Bacellar ao delegado responsável pelo depoimento, prestado logo após sua prisão na última quarta-feira.

Indícios de vazamento e destruição de provas

A PF investiga se Bacellar vazou dados sigilosos da operação que prendeu TH Jóias. A casa do parlamentar, alvo da ação em 3 de setembro, apresentava indícios de abandono às pressas. A análise do celular de Bacellar revelou, segundo os investigadores, elementos que sugerem orientação para que o colega apagasse arquivos e se desfizesse de possíveis evidências.

Em vídeo exibido pelo Fantástico, o delegado questiona por que Bacellar não alertou órgãos competentes, como a Polícia Civil ou o Ministério Público, ao perceber a movimentação incomum. “O senhor procurou alguma autoridade para dar essa notícia? Após negativa, o delegado insiste no risco de prejuízo à ordem judicial. Bacellar, então, repete que “não entregaria colega” e afirma ter considerado “impertinente” a ligação de TH Jóias.

Prisão de Bacellar amplia crise política na Alerj

A prisão preventiva de Bacellar, determinada pelo ministro Alexandre de Moraes, provocou forte impacto na Assembleia Legislativa. Mesmo aliados próximos admitem que o episódio gerou um vácuo de liderança e expôs fissuras internas.

Setores da oposição e parte da base articulam para que a Alerj mantenha a prisão, o que ampliaria o isolamento do parlamentar. Deputados relatam também preocupação com eventual nova rodada de investigações que possa atingir outros gabinetes.

Repercussão no governo Cláudio Castro

A crise envolvendo Bacellar, um dos principais articuladores políticos do governador Cláudio Castro (PL), atinge diretamente o Palácio Guanabara. O deputado, antes de romper parcialmente com o governo, exercia influência sobre áreas estratégicas, incluindo indicações no primeiro escalão e interlocução com a área de segurança.

Nos bastidores, auxiliares do governador admitem apreensão com o desdobramento do caso, já que Bacellar foi peça central na construção de maiorias na Alerj durante votações sensíveis, como o pacote fiscal e reorganizações administrativas. Sua prisão fragiliza a articulação governista num momento em que Castro enfrenta resistência crescente no Legislativo.

Aliados do governador avaliam que será necessário redistribuir espaços políticos para recompor a base. Há ainda receio de que a crise comprometa projetos em tramitação e aumente o desgaste público em um ano pré-eleitoral.

Infiltração do Comando Vermelho no Legislativo Estadual

TH Jóias responde a processos por tráfico de drogas, corrupção, lavagem de dinheiro e formação de quadrilha. A PF aponta que ele atuava como operador do Comando Vermelho dentro do Legislativo fluminense, intermediando compras de fuzis, drogas e equipamentos antidrones para o Complexo do Alemão. O deputado também teria nomeado a esposa de um traficante para cargo comissionado na Alerj. Deflagrada em 3 de setembro, a Operação Zargun prendeu TH Jóias em um condomínio de luxo na Barra da Tijuca. Dos 18 mandados de prisão preventiva, 15 foram cumpridos. Outros 22 mandados de busca e apreensão foram executados em bairros da Barra, Freguesia e Copacabana. Na Alerj, policiais federais e procuradores recolheram um malote com materiais que, segundo investigadores, reforçam a suspeita de que a estrutura do Legislativo foi utilizada para facilitar atividades do crime organizado.

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