BRICS Lança Manifesto Inédito sobre Inteligência Artificial: Soberania, Inclusão e Desenvolvimento Sustentável

Foto: Fábio Motta / Prefeitura do Rio

Os líderes do BRICS assinaram, em 6 de julho de 2025, no Rio de Janeiro, durante a XVII Cúpula do BRICS (com o tema “Fortalecendo a Cooperação do Sul Global para uma Governança mais Inclusiva e Sustentável”), a Declaração dos Líderes do BRICS sobre Governança Global da Inteligência Artificial. O documento traça um plano estratégico para uso responsável da IA, colocando a tecnologia a serviço do desenvolvimento sustentável, da soberania nacional e da inclusão de todas as nações, especialmente aquelas pertencentes ao Sul Global.

Principais elementos do texto:

  • Reforço do multilateralismo e da ONU como núcleo da governança da IA.
  • Diretrizes para regulação justa de mercado, proteção de dados, acesso equitativo e incentivo ao código aberto.
  • Compromissos éticos: diversidade cultural, mitigação de vieses, combate à desinformação e ênfase na supervisão humana.
  • Preocupação com impactos da IA no trabalho, educação e sustentabilidade ambiental.

A seguir, apresento um resumo organizado da Declaração, dividido em partes para facilitar a leitura e aprofundar nos principais tópicos.


GOVERNANÇA GLOBAL DA IA: DESENVOLVIMENTO COM RESPONSABILIDADE

O BRICS reafirma que a IA é uma oportunidade para impulsionar o desenvolvimento sustentável e promover maior equidade global. Defende que a governança da IA:

  • Respeite a soberania e as legislações nacionais;
  • Atue de acordo com a Carta da ONU;
  • Seja representativa, inclusiva, transparente, baseada na proteção de dados e na segurança;
  • Combata a desigualdade digital;
  • Tenha a ONU como centro das decisões globais.

Adverte sobre o risco de múltiplas iniciativas paralelas, que podem ampliar desigualdades e enfraquecer o multilateralismo.


MULTILATERALISMO, SOBERANIA DIGITAL E INCLUSÃO

O BRICS defende:

  • Fortalecer a governança da IA via ONU, evitando duplicações e fragmentações.
  • Dar voz ativa ao Sul Global e aos países em desenvolvimento.
  • Reforçar a colaboração entre governos, setor privado, sociedade civil, academia e demais atores.
  • Garantir a soberania digital, o direito ao desenvolvimento e a autonomia tecnológica de todos os países.

REGULAÇÃO DE MERCADO, GOVERNANÇA DE DADOS E ACESSO À TECNOLOGIA

Entre os compromissos:

  • Combater práticas monopolistas, garantir concorrência justa e regulamentação de mercado equilibrada.
  • Assegurar governança de dados inclusiva, respeitando privacidade, propriedade intelectual e segurança nacional.
  • Ampliar o acesso equitativo à tecnologia de IA, eliminando barreiras financeiras e técnicas para os países menos desenvolvidos.
  • Equilibrar proteção de propriedade intelectual com o interesse público e a transferência de tecnologia.
  • Incentivar o código aberto e a inovação colaborativa.
  • Desenvolver padrões internacionais inclusivos, evitando que normas sejam barreiras para pequenos países ou empresas.

EQUIDADE E DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL

O BRICS destaca que a IA deve:

  • Ser acessível a todos, com infraestrutura digital robusta.
  • Apoiar setores essenciais como saúde, educação, segurança, agricultura e meio ambiente.
  • Contribuir para a sustentabilidade ambiental e minimizar impactos negativos, como emissões e consumo excessivo de energia.
  • Estimular o trabalho decente, com proteção aos direitos dos trabalhadores diante da automação.
  • Fortalecer a educação crítica, evitando dependência excessiva da IA e promovendo alfabetização digital e pensamento crítico.

ÉTICA, INCLUSÃO E BEM-ESTAR GLOBAL

Compromissos éticos centrais:

  • Garantir inclusão e respeito à diversidade cultural, linguística e social.
  • Mitigar vieses algorítmicos e promover auditorias independentes, com foco na proteção de grupos vulneráveis.
  • Colocar o interesse público no centro, com supervisão humana rigorosa e transparência nas decisões de IA.
  • Combater desinformação e conteúdos manipuladores, promovendo integridade informacional.
  • Desenvolver IA com segurança intrínseca, prevenindo usos maliciosos como fraudes e cibercrimes.

O CAMINHO ADIANTE: RISCOS E COMPROMISSOS FUTUROS

O BRICS:

  • Defende cautela no avanço da Inteligência Artificial Geral (AGI), para evitar monopólios tecnológicos e dependência.
  • Promete atuar juntos para fortalecer o papel da ONU na governança da IA, defendendo posições comuns nos foros internacionais.
  • Reafirma o compromisso com um futuro digital mais justo e inclusivo, aberto a contribuições de outros países em desenvolvimento.

UM MARCO PARA O SUL GLOBAL E UM CHAMADO À AÇÃO GLOBAL

Essa declaração é um divisor de águas na disputa por poder e governança no mundo digital. Com firmeza, o BRICS coloca as nações em desenvolvimento no centro do debate global sobre a IA e, ao mesmo tempo, estabelece um chamado claro à cooperação internacional baseada em soberania, ética, equidade e inclusão.

Um documento que merece ser lido e debatido por todos que se preocupam com o futuro da tecnologia e da humanidade.

A íntegra da Declaração dos Líderes do BRICS sobre Governança Global da Inteligência Artificial está disponível no seguinte sítio:


COMPOSIÇÃO ATUAL DO BRICS: MEMBROS E PARCEIROS

Como algumas pessoas ainda têm dúvidas sobre quais países compõem atualmente o BRICS, apresento abaixo, de forma detalhada e atualizada, a lista completa dos seus membros plenos, dos países parceiros e também dos países convidados que não oficializaram sua adesão ao bloco.

O BRICS começou como um grupo formado por quatro grandes economias emergentes — Brasil, Rússia, Índia e China — reunidas pela primeira vez em 2006. A sigla “BRIC” foi criada em 2001 pelo economista Jim O’Neill, do banco Goldman Sachs, para identificar os países com grande potencial de crescimento econômico. Em 2010, a África do Sul foi convidada e aderiu formalmente ao grupo, transformando-o em BRICS. A inclusão da África do Sul, cujo nome em inglês é South Africa, explica a letra “S” na sigla BRICS.

O bloco permaneceu com cinco membros durante mais de uma década. No entanto, a partir de 2023, o BRICS iniciou um processo de expansão, com o convite a novos países:


Membros Plenos (10 países)

Atualmente, o BRICS conta com dez países membros plenos:

  • Brasil — Membro fundador desde 2006.
  • Rússia — Membro fundador desde 2006.
  • Índia — Membro fundador desde 2006.
  • China — Membro fundador desde 2006.
  • África do Sul — Aderiu oficialmente em 24 de dezembro de 2010.
  • Egito — Tornou-se membro pleno em 1º de janeiro de 2024.
  • Etiópia — Tornou-se membro pleno em 1º de janeiro de 2024.
  • Irã — Tornou-se membro pleno em 1º de janeiro de 2024.
  • Emirados Árabes Unidos — Tornou-se membro pleno em 1º de janeiro de 2024.
  • Indonésia — Formalizou sua entrada em 6 de janeiro de 2025.

Com isso, o BRICS ampliou-se de cinco para dez países membros plenos entre 2024 e 2025.


Situação da Arábia Saudita

A Arábia Saudita foi convidada junto com os demais países em agosto de 2023, mas não concluiu formalmente sua adesão ao bloco. A principal razão, segundo analistas, é o cuidado para não prejudicar suas relações diplomáticas e econômicas com os Estados Unidos. Portanto, embora tenha sido incluída na lista de convidados, não é considerada oficialmente membro do BRICS até o momento.


Situação da Argentina

A Argentina também foi convidada oficialmente para ingressar no BRICS durante a Cúpula de Joanesburgo em agosto de 2023. No entanto, após a eleição de um novo governo, o país anunciou, em dezembro de 2023, sua decisão de não aderir ao bloco.


Países Parceiros (BRICS+) — 10 países

Em 2024, foi criada a categoria de países parceiros, conhecida como BRICS+. Estes países participam das reuniões ampliadas e têm acesso a debates e fóruns do bloco, mas sem os mesmos direitos de decisão dos membros plenos. A adesão oficial desses parceiros foi confirmada em janeiro de 2025.

Os dez países parceiros atuais do BRICS+ são:

  • Belarus
  • Bolívia
  • Cuba
  • Cazaquistão
  • Malásia
  • Nigéria
  • Tailândia
  • Uganda
  • Uzbequistão
  • Vietnã

Resumo Final:

  • 10 membros plenos: Brasil, Rússia, Índia, China, África do Sul, Egito, Etiópia, Irã, Emirados Árabes Unidos e Indonésia.
  • 10 países parceiros (BRICS+): Belarus, Bolívia, Cuba, Cazaquistão, Malásia, Nigéria, Tailândia, Uganda, Uzbequistão e Vietnã.
  • Arábia Saudita: Convidada, mas sem adesão formalizada até o momento.
  • Argentina: Convidada, mas recusou a adesão ao bloco.

Dessa forma, o BRICS, somando seus membros plenos e países parceiros, reúne atualmente vinte nações com diferentes níveis de participação no bloco.


As opiniões expressas neste artigo são de exclusiva responsabilidade do autor e não refletem, necessariamente, a posição do jornal.

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