A exoneração de 13 cargos de confiança revelou um racha político dentro do PL em Santa Catarina e expôs um acordo milionário que vinha garantindo influência e articulação na Câmara de Vereadores. Os comissionados, todos ligados ao presidente do Legislativo municipal, Aílton de Souza, o Ito (PL), custavam R$ 104 mil por mês aos cofres públicos, o equivalente a R$ 1,2 milhão por ano.
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Segundo apuração, o acerto entre o prefeito Egidio Ferrari (PL) e o presidente da Câmara previa a manutenção desses cargos em troca de apoio na aprovação de projetos no Legislativo e articulações políticas estratégicas para o governo municipal.


A quebra do acordo
O pacto começou a ruir nas últimas semanas com o aumento das tensões entre os dois líderes, apesar de ambos serem filiados ao Partido Liberal (PL). A crise chegou ao ápice quando o prefeito decidiu exonerar todos os indicados, cortando a estrutura que dava sustentação a Ito dentro da Prefeitura.
Com a medida, Egidio Ferrari atingiu diretamente a base de influência do presidente da Câmara, retirando não apenas o espaço político, mas também os salários que eram bancados pela administração.
O peso financeiro
De acordo com as tabelas salariais oficiais, os cargos exonerados estavam distribuídos da seguinte forma:
• Diretor dos Serviços de Atendimento ao Público (CC-2) – R$ 11.783,15
• Gerente do Centro Turístico e Cultural da Vila Itoupava (CC-3) – R$ 8.875,83
• Gerente de Parques Urbanos (CC-3) – R$ 8.875,83
• Gerente de Mapeamento Geológico (CC-3) – R$ 8.875,83
• Gerente de Projetos Educativos, Políticas Integradas de Segurança (CC-3) – R$ 8.875,83
• Gerente Administrativo das UC’s, Parques e Museu Fritz Müller (CC-3) – R$ 8.875,83
• Gerente de Reintegração Social (CC-3) – R$ 8.875,83
• Gerente de Drenagem e Infraestrutura (CC-3) – R$ 8.875,83
• Assessor de Museus (CC-4) – R$ 6.507,57
• Assessor do Museu de Ecologia Fritz Müller (CC-4) – R$ 6.507,57
• Assessor de Mediões (CC-4) – R$ 6.507,57
• Assessor de Fiscalização de Região 4 (DMB) (CC-4) – R$ 6.507,57
• Assessor de Fiscalização de Região 2 (DSU) (CC-4) – R$ 6.507,57
Somados, esses salários ultrapassavam os R$ 104 mil mensais, compondo a base financeira do acordo político que agora veio à tona.
Repercussão política
A decisão de Egidio Ferrari abriu uma crise dentro do PL e escancarou o desgaste entre os dois poderes. Sem os cargos que garantiam sua rede de confiança, Ito reagiu publicamente e anunciou que não faz mais parte da base governista.
A disputa interna deixou claro que, embora prefeito e presidente da Câmara sejam do mesmo partido, o acordo ruiu e transformou antigos aliados em adversários. O episódio expôs aos eleitores o custo das articulações políticas e mostrou como cargos comissionados funcionavam como peça central no jogo de poder.


