

O governador Cláudio Castro (PL) oficializou, nesta quinta-feira (10), a nomeação de Priscila Haidar Sakalem como nova secretária estadual de Transportes do Rio de Janeiro. A decisão ocorre uma semana após a exoneração de Washington Reis (MDB), feita pelo então governador em exercício Rodrigo Bacellar (União) durante viagem de Castro a Portugal. O ato de nomeação foi publicado em edição extraordinária do Diário Oficial.
Priscila atuava como assessora direta de Castro. É advogada, mestre em Tributação e Finanças pela Uerj, com formações e especializações também pela Unirio, UFF e Escola de Negócios Trevisan. Sua chegada sela o fim da passagem turbulenta de Washington Reis pela pasta, marcada por tensões políticas internas.
Além da mudança no comando da Secretaria de Transportes, o governador também tornou sem efeito a exoneração de Kennedy de Assis Martins, presidente do Instituto de Pesos e Medidas (Ipem) e aliado do deputado estadual Dionísio Lins (PP). A exoneração havia sido assinada por Bacellar no mesmo dia da demissão de Reis.
As duas exonerações aprofundaram uma crise política na cúpula do governo estadual. Bacellar, apontado como o sucessor de Castro para as eleições de 2026, enfrenta resistências dentro da base, especialmente de Washington Reis e aliados de Dionísio Lins — este último visto como simpático à pré-candidatura do prefeito Eduardo Paes (PSD), adversário direto do grupo governista.
Em nota divulgada nas redes sociais, Castro criticou a atitude de Bacellar: “A exoneração foi intempestiva e desrespeitosa, sem minha aprovação ou diálogo com os campos políticos da base”. O governador admitiu que a saída de Washington já vinha sendo discutida nos bastidores, mas que o movimento de Bacellar atropelou o processo e provocou desgastes desnecessários.
Sobre Washington Reis, Castro foi direto: “Suas sinalizações estavam desalinhadas com nosso campo político. A exoneração estava prevista e seria conduzida com diálogo ao fim das férias”.
O recado político veio nas entrelinhas, mas com endereço certo: “A sucessão ao governo estadual é um projeto de um campo político e não de um desejo pessoal e descoordenado”, escreveu Castro, sinalizando que o episódio ainda renderá discussões entre os partidos aliados nos bastidores da Alerj.
Por ora, Bacellar saiu fortalecido no plenário da Assembleia, Castro preservou o controle do governo, e Washington — mesmo fora — segue se movimentando com a promessa: “Sou candidato”.
