

Bacellar e eu, eu e Bacellar
Com a prisão do, até então, Todo-Poderoso Rodrigo Bacellar, acendeu o sinal vermelho não só no Legislativo fluminense, como também no Executivo estadual, onde Bacellar foi secretário de Governo e braço direito do governador Claudio Castro (PL), entre 2021 e 2022.
Bacellar e eu, eu e Bacellar II
Apesar de jovem na idade (45 anos) e na política (está em seu segundo mandato na Alerj), Bacellar possui influências que vão além do Executivo e Legislativo fluminenses. Ele foi relator do processo de impeachment do governador Wilson Witzel, em 2020, quando se aproximou do então presidente da Casa, André Ceciliano.
Bacellar e eu, eu e Bacellar II
No início dos anos 2000, quando engatinhava na política, militou no PT de Campos dos Goytacazes, seu reduto político, herdado de seu pai, o vereador Marco Bacellar.
Bacellar e eu, eu e Bacellar III
Fidelidade partidária não é com ele. Em apenas 7 anos de Alerj, foi eleito em 2018 pelo Solidariedade, com pouco mais de 26 mil votos. Já em 2022, embarcou na onda bolsonarista e se reelegeu com quase 98 mil votos pelo PL.
Bacellar e eu, eu e Bacellar IV
Depois de se aliar ao governador, se bandeou para o União Brasil, legenda amiga de Castro e, desde então, só ampliou seu poder e influência. Se elegeu pela primeira vez para a presidência da Alerj, para o biênio 2023/2024, com 56 votos do total de 70 deputados. Na reeleição (2025/2026), o resultado mostrou sua habilidade de negociação. Foi eleito por unanimidade pelos 70 parlamentares da Casa. A maioria deve favores a ele.
Bacellar e eu, eu e Bacellar V
Quem se beneficia eleitoralmente com a prisão de Bacellar é o prefeito/pré-candidato a governador, Eduardo Paes. Na maioria das pesquisas eleitorais, o presidente da Alerj aparece em segundo lugar e oscila entre 10% e 14%, dependendo dos nomes apresentados. Só cai para o terceiro lugar quando entra em campo o ex-governador Anthony Garotinho, hoje sem partido.
Bacellar e eu, eu e Bacellar VI
Claudio Castro também se livra de um estorvo, depois que se afastou do aliado após o mesmo demitir o então secretário de Transportes Washington Reis, durante o exercício de uma governança interina. Desde então, não mais se falaram e Bacellar, vira e mexe, cria dificuldades para o governador nos trâmites dos projetos do Executivo na Casa.
Bacellar e eu, eu e Bacellar VII
Castro se beneficia dependendo dos desdobramentos das investigações. Se os possíveis depoimentos a serem prestados invadirem a seara do Executivo, acaba o céu de brigadeiro do pré-candidato ao Senado, desde o advento da megaoperação nas favelas do Alemão e da Penha.
Bacellar e eu, eu e Bacellar VII
Como na política nada é tão ruim que não possa piorar, uma possível delação premiada do deputado preso TH Jóias e, até mesmo, de Bacellar, pode ser um “chute no pau da barraca” da política fluminense.
Coincidências
Nestas coincidências da vida, na hora em que a PF prendeu Bacellar, pela manhã, o vice-presidente da Alerj, deputado Guilherme Delaroli, estava em reunião no Palácio Guanabara com o governador Claudio Castro.
Coincidências II
Segundo fontes legislativas, tratando de outros assuntos. Bem, até a prisão…
Clima pesado
Os deputados estaduais até tentaram manter o clima de “normalidade” na Casa após a prisão de Bacellar, mas foi em vão. A sessão da principal comissão da Alerj, Constituição e Justiça (CCJ), foi mantida pelo seu presidente e líder do governo, Rodrigo Amorim. Logo depois, no entanto, foi encerrada devido ao “clima de velório”, segundo alguns presentes.
Clima pesado II
No plenário da Alerj não foi diferente. Presidida pelo vice-presidente, Guilherme Delaroli, a sessão até começou, com a leitura da ordem do dia e a votação dos dois primeiros projetos de lei, referentes à Procuradoria-Geral do Estado. Mas, logo depois, constatou-se a falta de quórum. Menos da metade dos parlamentares permaneceu, apesar dos 18 projetos de lei e de resolução na pauta.
Esquecido
Enquanto isso, a explosiva entrevista do herdeiro aparente Eduardo Cavaliere ao O Globo acabou esquecida durante o dia.
