
A Comissão de Assuntos Urbanos da Câmara Municipal do Rio enviou, nesta quarta (03/04), um ofício ao prefeito Eduardo Paes solicitando a desapropriação do esqueleto do prédio da União Nacional dos Estudantes (UNE), na Praia do Flamengo. O pedido, feito pelo presidente da comissão, o vereador Pedro Duarte (Novo), busca aplicar o critério de desapropriação por hasta pública, um modelo que prevê a declaração de utilidade pública do imóvel, seguida de um leilão e pagamento ao proprietário do valor arrecadado.
Em seu ofício, o parlamentar destaca o abandono do prédio da UNE, alegando que, apesar dos esforços do governo federal e municipal, o imóvel se encontra em completo estado de degradação. Segundo ele, as obras de reforma estão paralisadas há mais de oito anos, o que tem causado impactos negativos não só na estrutura do prédio, mas também na região em torno da Praia do Flamengo. “Chega a ser inacreditável que um imóvel localizado em uma região nobre da cidade, em frente a um dos principais parques da cidade, com vista para o mar, e muito próximo ao metrô esteja no estado em que se encontra, chegando a ser identificado como “Esqueleto da UNE”, afirma Duarte.
A ideia da comissão da Câmara é que o caso do prédio da UNE também seja debatido durante a audiência sobre os imóveis abandonados no município, marcado para o próximo dia 24.
Esqueleto de futuro prédio empresarial
O projeto previa um edifício corporativo, o Torre Flamengo, com 12 andares, dois subsolos, além da construção de um teatro. O empreendimento foi encabeçado pela WTorre Engenharia, a mesma responsável pela reforma do Estádio do Morumbi, em São Paulo. O terreno pertence à União Nacional dos Estudantes (UNE), que, em troca, ficaria com um bloco de dois pavimentos e 1680 m² para a sua sede, com entrada independente. A previsão inicial de conclusão era para 2016, mas, após inúmeros atrasos, o edifício nunca foi concluído.
Em 2010, o prédio da UNE recebeu mais de R$ 44 milhões em recursos federais para a realização de reformas. De acordo com dados mais atualizados do gabinete do vereador, os valores investidos até hoje somam cerca de R$ 94 milhões. A área construída prevista era de 11.949 m².


Um terreno com história
Nos anos 1930, o local abrigava o elegante Clube Germânia, frequentado por imigrantes alemães. Durante a Segunda Guerra Mundial, com o Brasil em guerra contra os fascistas, o clube foi ocupado pela União Nacional dos Estudantes (UNE). O prédio foi a sede da UNE até a Revolução de 1964, quando foi apedrejado, incendiado e saqueado. Nos anos 70, o edifício permaneceu em ruínas até ser demolido no início dos anos 80, ficando anos sem construção.

Na virada do século, o terreno virou um estacionamento improvisado, até a UNE anunciar, em 2010, a construção de sua nova sede. Em 2012, a UNE anunciava o empreendimento com otimismo: “Projetado por um dos principais arquitetos do mundo, Oscar Niemeyer, o novo prédio terá 13 andares, com três pisos de estacionamento no subsolo, um centro cultural com dois cinemas, museu, livraria e café”.