

Carlos Massa Ratinho Júnior não falou em candidatura à Presidência, mas também não precisou. No tradicional “Almoço do Empresário”, promovido nesta última sexta-feira (25/07) pela Associação Comercial do Rio, o governador do Paraná fez exatamente o que se espera de um presidenciável em aquecimento: sentou à mesa certa, cercado de gente certa, no lugar certo — o Centro do Rio, berço do capital e da política fluminense.
A ocasião tinha nome técnico — A experiência do Paraná em inovação e melhoria do ambiente de negócios (painel que aprsentou) —, mas o que se desenrolou foi uma espécie de aproximação estratégica com a elite econômica carioca. Ao lado de Josier Vilar, presidente da ACRJ e anfitrião do encontro, Ratinho falou para uma plateia de lideranças do setor produtivo e deixou sua assinatura crítica à burocracia, defesa da desregulamentação e uma cutucada geopolítica sobre a tensão comercial com os EUA.
“A relação do Brasil com os EUA tem 200 anos. Trump não fez uma ação só contra o Brasil, mas contra o mundo, e os países estão tendo que sentar numa rodada de negociação para se protegerem de certa forma, ou ter um menor prejuízo possível para as suas cadeias produtivas” disse ele, referindo-se ao tarifaço previsto para agosto.
A estratégia do sapatênis
Ratinho chegou à Candelária como quem já entendeu o jogo. Vestia terno, mas nos pés, tênis, o uniforme do empresário moderno. Nos bastidores, sua movimentação pelo país tem seguido a mesma lógica, a de manter a linguagem do gestor eficiente, sem ruídos ideológicos, e se mostrar apto a conversar com todos os setores. No Rio, deixou claro que está disposto a se achegar.
Não é a primeira vez. O governador já passou por estados como Pará e Pernambuco nos últimos meses, numa espécie de pré-temporada da política nacional. No Rio, foi recebido com elogios de Eduardo Paes, que chegou ao fim do encontro após ter ido ao velório de Preta Gil. Os dois são do mesmo partido, o PSD.
No script, só o que interessa
Ninguém falou abertamente em eleição. Mas tudo o que se disse parecia ter esse pano de fundo. “O problema do Brasil não é dinheiro, é planejamento”, afirmou Ratinho. “O problema do Brasil não é dinheiro, mas sim falta de planejamento. O nosso setor empresarial é muito forte, corajoso e competente, então se você destravar e desburocratizar, pode ter certeza de que o país deslancha, e vamos disputar crescimento com países, como Índia, China, estando entre as maiores economias do mundo”.
