
O deputado Paulo Magalhães (PSD-BA), relator do processo contra o parlamentar Glauber Braga (PSOL-RJ) no Conselho de Ética da Câmara dos Deputados, votou nesta quarta-feira (2) pela cassação do mandato do colega. A medida foi motivada por um episódio de agressão a Gabriel Costenaro, militante do Movimento Brasil Livre (MBL), ocorrido em abril do ano passado nas dependências da Câmara.
No relatório, Magalhães considerou que houve quebra de decoro parlamentar, afirmando que a conduta de Glauber Braga “não estaria acobertada pela legítima defesa” e que “o histórico de provocações anteriores de Gabriel Costenaro contra o representado e seus companheiros de partido não autorizaria a violência física.”
A votação do parecer foi interrompida por pedido de vista do deputado Chico Alencar (PSOL-RJ), aliado de Glauber. O relatório deve ser apreciado novamente na próxima sessão do conselho. Caso aprovado, o processo seguirá para o plenário da Câmara, que decidirá se o parlamentar perderá ou não o mandato. Para que a cassação seja efetivada, será necessário o voto favorável de pelo menos 257 deputados em plenário, além do aval do colegiado. A nova data para votação do parecer no conselho ainda não foi definida.
O episódio que gerou o processo envolveu empurrões e agressões físicas. Glauber Braga chutou o militante do MBL e o expulsou da Câmara. A discussão prosseguiu no estacionamento, sendo contida pela segurança legislativa. No mesmo dia, o deputado também trocou empurrões com Kim Kataguiri (União Brasil-SP) após uma discussão intensa, na qual Braga o chamou de “defensor de nazista”.
Durante o processo, o parlamentar do PSOL abriu mão de apresentar testemunhas e afirmou que a tramitação já havia ultrapassado seus limites. “Se hoje me emocionei de maneira profunda com ela no Conselho de Ética, eu não queria, nesse momento, estar decepcionando a deputada Luiza Erundina. Mas tudo tem um limite. E esse processo que se arrasta durante todo esse tempo para mim já foi o suficiente”, disse, referindo-se à colega de partido.
Nas redes sociais, Glauber reagiu ao relatório: “Usei todas as ferramentas que estavam à minha disposição nesse processo para mostrar o que é o MBL, quem é Arthur Lira e denunciar o orçamento secreto. Tô preparado para o que vier”, escreveu no X (antigo Twitter).
O deputado também alegou que o parecer de Paulo Magalhães teria sido influenciado politicamente. “Quem escreveu seu relatório foi o senhor Arthur Lira. Esse processo desde o início tentou blindar o ex-presidente da Câmara e com relatório já previamente preenchido”, afirmou Glauber Braga durante a sessão.