

Dias depois de o PSD, partido do prefeito Eduardo Paes, defender a ideia de transferir a sede do governo estadual do Palácio Guanabara, em Laranjeiras, para o prédio da Central do Brasil, o edifício já entrou no radar da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj) nesta quarta-feira (12/11). Durante a discussão do projeto de lei que autoriza o governo do estado a vender 60 imóveis públicos, o deputado Alexandre Knoploch (PL) sugeriu incluir o imóvel na lista de bens que podem ser colocados à venda.
A proposta foi feita durante a sessão que analisava o texto, que recebeu cerca de 80 emendas parlamentares. Knoploch argumentou que o prédio, que recentemente abrigou a Secretaria de Administração Penitenciária (Seap) e a Secretaria de Segurança Pública, está hoje desocupado e em más condições estruturais. “A Central do Brasil hoje não abriga absolutamente nada. É um prédio muito antigo, cuja reforma custaria muito aos cofres públicos. Mas ainda que tenha um grande valor comercial”, disse o deputado, defendendo a venda.
Ideia de Paes causa reação na Alerj
A fala do parlamentar também foi uma resposta direta ao movimento político do PSD, que incluiu a transferência da sede do governo estadual para a Central do Brasil entre as propostas de programa para a eleição de 2026. O partido já trabalha na ideia como parte de um plano de revitalização do Centro do Rio, uma das bandeiras de Eduardo Paes, que tem esboçado desejo de disputar o governo do estado.
Segundo a proposta, caso o prefeito seja eleito, o gabinete do governador e as principais secretarias seriam transferidos para o prédio, um dos ícones da arquitetura art déco carioca. Inaugurado na década de 1940, o edifício tem 28 andares e chegou a ser o mais alto da América do Sul, com 184 metros de altura.
Para Knoploch, no entanto, a ideia é “irresponsável”. O deputado ironizou a proposta do prefeito, afirmando que “Paes provavelmente nunca esteve lá” e que “o prédio não tem condições de abrigar absolutamente nada”. Segundo ele, o edifício impõe custos altos e exigiria uma ampla reforma para voltar a ser funcional. Quando a Seap ainda ocupava o local, o contrato anual de manutenção chegava a R$ 5 milhões. Para torná-lo novamente utilizável, seriam necessários investimentos consideráveis: o retrofit dos elevadores foi orçado em R$ 3,3 milhões; a restauração das fachadas, em R$ 3,9 milhões; e a impermeabilização, em R$ 3,4 milhões. Além disso, para adequar o prédio ao novo Código de Segurança contra Incêndio e Pânico (Coscip), editado em 2022, o gasto estimado é de cerca de R$ 20 milhões.
