deputados e advogados se manifestam em favor do ato

No próximo domingo, 6, São Paulo será palco da manifestação em favor da anistia aos presos do 8 de janeiro. Milhares de brasileiros vão se concentrar na Avenida Paulista, local onde vai ocorrer o evento. 

Deputados de oposição ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e advogados dos presos se manifestaram em favor do ato. O deputado federal Paulo Bilynskyj (PL-SP), por exemplo, acredita que a mobilização popular é importante para ajudar os parlamentares a continuar trabalhando em prol da anistia.

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Em entrevista à edição desta sexta-feira, 4, do Jornal da Oeste, Bilynskyj afirmou que os políticos de oposição ao governo estão 100% focados em ajudar os presos do 8 de janeiro. O parlamentar paulista acredita que o ato do próximo domingo será “a maior manifestação pró-anistia da história do Brasil”.

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O político afirmou que pautou na Câmara um requerimento para abrir uma comissão externa. O objetivo, segundo Bilynskyj, é investigar as denúncias de violação de direitos humanos das vítimas do 8 de janeiro. “Queremos garantir que os presos recebam justiça”, disse.

Violações de direitos básicos

Segundo o deputado, essa investigação é necessária porque há várias denúncias de violações de direitos básicos. É o caso, por exemplo, do pastor Jorge Luiz Dos Santos. O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), o condenou a 16 anos de cadeia, em razão do protesto do dia 8 de janeiro.

Além do encarceramento, o religioso tem de enfrentar outros problemas graves. Ezequiel Silveira, que representa as famílias dos presos do 8 de janeiro, afirmou ao Jornal da Oeste que o pastor “está morrendo no Complexo Penitenciário da Papuda”. “A pressão dele oscila muito”, afirmou. “Estamos fazendo o possível para denunciar esse caso.”

Em novembro do ano passado, a advogada Caroline Siebra, que defende o pastor Jorge, afirmou a Oeste que o religioso “está com uma bomba-relógio no peito”.

Presos doentes clamam pela anistia

O pastor Jorge não é o único que enfrenta problemas de saúde na prisão. Adalgiza Maria Dourado, de 65 anos, luta contra a depressão profunda, os pensamentos suicidas, o choro constante, as crises de ansiedade e as comorbidades dentro da prisão.

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Oeste teve acesso ao prontuário médico da idosa. No documento, o médico solicita aos agentes do Presídio Feminino do Distrito Federal que não a deixem sozinha na cela, “pois há risco de suicídio”. Luiz Felipe da Cunha, advogado da idosa, afirmou que, se nada for feito, “Adalgiza poderá ser o próximo Clezão”.

Momentos de alívio

Já a advogada Tanieli Telles, que defende a cabeleireira Débora Rodrigues, afirmou que a anistia é necessária. “Sem a anistia, os filhos de Débora não poderão dormir em paz”, afirmou. 

Hoje, a cabeleireira encontra-se em casa. Ela cumpre prisão em regime domiciliar, depois de um pedido da Procuradoria-Geral da República (PGR). A solicitação da PGR foi recebida por Moraes, que concedeu o benefício a Débora.

Débora Rodrigues dos Santos, durante o ato do 8 de Janeiro | Foto: ReproduçãoDébora Rodrigues dos Santos, durante o ato do 8 de Janeiro | Foto: Reprodução
Débora Rodrigues dos Santos, durante o ato do 8 de janeiro | Foto: Reprodução/Redes sociais

De acordo com Tanieli, a cabeleireira está grata por estar ao lado do marido e dos filhos. Ao Jornal da Oeste, a advogada contou que Débora está feliz em poder preparar o café da manhã para a família. No entanto, ela “continua em prisão domiciliar”, afirma a advogada. 

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Tanieli disse que Débora não pode receber visitas de amigos. “Ela não pode nem trabalhar”, afirmou. Além disso, precisa lidar com os sofrimentos da família. Os filhos se desesperam quando sentem a ausência da mãe. Quando Débora precisa ir ao banheiro ou a outro cômodo da casa, por exemplo, as crianças pensam que a polícia a levou de volta à prisão. “Mãe, cadê você”?, perguntam os filhos.

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