Eduardo Paes diz que debate sobre segurança no Brasil é “inconsequente”

Imagem meramente ilustrativa Foto: Marcelo Piui

O prefeito do Rio, Eduardo Paes (PSD), elevou o tom ao falar sobre segurança pública durante o Seminário Esfera Rio de Janeiro 2025, nesta sexta-feira (28/11). Para ele, o país vive um “debate absolutamente sem sentido” sobre o tema e, mais do que isso, “inconsequente”. As declarações vêm na esteira da megaoperação no Complexo do Alemão e na Penha, que deixou 122 mortos e abriu nova frente de embate entre direita e esquerda. As informações são do Poder 360.

Segundo o prefeito, parte da discussão travada após a operação é movida por vaidade e disputa de holofote entre autoridades. Ele falou em “disputa de protagonismo” em vez de um debate sério sobre como enfrentar o crime organizado.

Ao criticar a leitura de que a presença de criminosos armados nas favelas seria explicada apenas por questões sociais, Paes foi direto: “O que não dá para aceitar é essa justificativa permanente de que há um problema social, é quase que como se fosse um direito do sujeito portar um fuzil”.

Para o prefeito, esse raciocínio acaba igualando pobreza e criminalidade, algo que ele rejeita. “Isso supõe que pobreza e delinquência são equivalentes, o que não é verdade”, reforçou, ao defender que o Estado tem o dever de reagir quando é confrontado por grupos armados. “O Estado nunca tem que buscar matar os outros. Mas se o Estado é enfrentado, só o Estado tem direito de inclusive acabar com a violência”, afirmou.

Paes também tentou deslocar o foco da ideia de que o Rio seria, automaticamente, a principal síntese da violência no país. Ele reconheceu que a cidade enfrenta um “gravíssimo problema de segurança”, mas lembrou que não lidera o ranking nacional de homicídios. “Tem 19 capitais mais violentas na nossa frente”, disse, destacando que o Rio acaba ganhando mais atenção e tensão nos debates nacionais. “Nós somos especialistas nisso, um debate absolutamente sem sentido no tema da segurança pública”, criticou.

Ao defender ações mais firmes de enfrentamento ao crime organizado, o prefeito insistiu na ideia de que é preciso mirar tanto os grupos armados quanto as engrenagens financeiras que sustentam essas estruturas. Citou operações recentes em São Paulo e apontou para organizações que atuam na fronteira entre o crime e o mercado financeiro. Segundo ele, criminosos que “se travestem de homens e mulheres no mercado financeiro” também precisam ser presos.

Paes afirmou ainda que quem mais sofre com a violência não são as elites, mas os moradores de favelas e bairros populares. Ele lembrou que o domínio territorial por facções deixou de ser um fenômeno restrito a comunidades em áreas de morro. Bairros formais da Zona Norte, segundo o prefeito, já convivem com barricadas e regras impostas pelo crime.

“É inaceitável que a gente não combata essa criminalidade absurda que nos cega o direito de viver, nos tira a liberdade”, concluiu Eduardo Paes, ao cobrar menos retórica e mais ação coordenada entre os diferentes níveis de governo.

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