
O prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, foi direto ao ponto: “Acabou a caixa-preta das empresas de ônibus na cidade do Rio”. A frase, dita em vídeo publicado nesta quarta-feira (12) nas redes sociais, marca o tom de enfrentamento com os empresários do transporte coletivo, num setor historicamente blindado à fiscalização e com forte influência política.
Segundo Paes, a partir de agora a prefeitura terá acesso direto a todas as informações operacionais e financeiras das concessionárias que operam o sistema. Isso inclui dados sobre rotas, horários, receitas, gratuidades e bilhetagem. “Não tem mais mistério, não tem mais desculpa. Agora a população vai saber como cada centavo é gasto nesse sistema”, reforçou o prefeito.
O anúncio é mais uma etapa da estratégia da prefeitura para consolidar o Jaé, novo sistema de bilhetagem digital que visa reduzir fraudes e aumentar o controle público sobre o transporte.
A fala de Paes acontece em meio a críticas recorrentes ao transporte público carioca — marcado por ônibus lotados, irregularidades nos itinerários e um histórico de pouca transparência por parte das empresas. A promessa de abrir a “caixa-preta” das viações aparece como um gesto simbólico de ruptura com esse modelo.
Nos bastidores, o movimento é lido também como um posicionamento político e institucional do Paes contra o poder consolidado do setor rodoviário — que por décadas impôs limites à fiscalização e aos avanços tecnológicos no transporte.
Enquanto a prefeitura promete mais fiscalização e controle, resta saber como o setor reagirá à nova diretriz. Mas, pelo tom adotado, Eduardo Paes parece disposto a bancar o confronto: “A partir de agora, quem manda no transporte é o cidadão, não o monopólio”.
