Emanuel Alencar: Azul, vermelho e branco escancaram entreguismo da extrema direita

Ao levarem mais de 40 mil pessoas à Avenida Paulista, coração da maior cidade brasileira, os bolsonaristas deram uma evidente demonstração de força. E reforçam uma incrível capacidade de serem diretos, objetivos, em suas narrativas. Eles tão têm a menor vergonha, o menor pudor, de defenderem um Brasil subjugado aos interesses dos Estados Unidos. A participação de muitas bandeiras dos Estados Unidos deslocou os matizes vistos recentemente nas ruas. Progressistas e apoiadores do governo Lula abusaram do verde-e-amarelo na combinação com o vermelho, e estenderam uma enorme bandeira do Brasil na Praça da República, Centro de São Paulo. Está tudo desenhado, esquadrinhado, às claras.

Ante o julgamento de Bolsonaro e mais sete réus, que tentaram golpear a democracia brasileira, os extremistas levaram cartazes com agradecimentos às sanções impostas por Donald Trump ao ministro do STF, Alexandre de Moraes. Nikolas Ferreira, deputado estridente do PL e ícone da turma entreguista, fez um apelo para que a Câmara dos Deputados paute a anistia aos condenados pelo 8 de Janeiro e o Senado coloque em votação o impeachment de Alexandre de Moraes.

É assustador o mundo distópico dos extremistas de direita. Vivem num universo paralelo. Está tudo dito, como  no impressionante vídeo de uma senhora, em Copacabana, jurando que Lula e Moraes são, na verdade, sósias – os originais teriam morrido. Se amam tanto os Estados Unidos, deveriam estar preocupados, isto sim, com os sinais de que as supertaxações de Trump tem feito o déficit comercial dos Estados Unidos crescer. Defendem uma suposta liberdade, mas em nome de um Estado de exceção, com captura, tortura e morte dos adversários políticos. (Jair, o réu, cansou de elogiar torturadores). Está tudo dito, cristalino, transparente.

Às ameaças absurdas e totalitárias, o Brasil responderá com a necessária firmeza – o que não fizeram os Estados Unidos, ao minimizar o risco Trump. Somos um país que resiste às ameaças dos que nos querem colônia novamente. Esta semana é decisiva para o futuro. As provas, os prints, as conversas, as minutas, escancaram o golpismo desavergonhado. Há 10 meses, Walter Braga Netto se tornou o primeiro general de quatro estrelas do Exército a ser preso no Brasil. Vem mais ineditismo por aí. Essa turma se acha intocável. Que paguem por seus crimes. Todos, sem exceção.


As opiniões expressas neste artigo são de exclusiva responsabilidade do autor e não refletem, necessariamente, a posição do jornal.

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