
Num movimento que muitos niteroienses estão chamando de traição do governador Claudio Castro, o governo do Rio colocou o Estádio Caio Martins e todo o seu complexo esportivo, em Icaraí, num leilão. A venda do espaço poderia render bons recursos aos cofres do Estado. A 300 quilômetros de Niterói, um antigo estádio de Itaperuna – que já recebeu grandes clubes do Rio -, iria virar um empreendimento comercial, mas terminou num enorme terreno baldio. Cenários distintos, mas com o mesmo trágico enredo. Onde está a política pública fluminense de inclusão pelo esporte?
Na planilha que domina a cabeça da maioria dos governantes, valem a arrecadação e o menor esforço, geralmente nesta ordem. Não importa se 25% dos jovens entre 15 e 29 anos não estudam nem trabalham no Estado do Rio. Tampouco importa se Rio e Niterói são candidatos aos Jogos Pan-Americanos de 2031, tendo papel fundamental na formação de atletas e no recebimento de atividades esportivas. Na ausência de um empresário que banque um projeto – leia-se um time para disputar campeonatos -, simplesmente quem dita as regras é o mercado imobiliário.
Niterói tem todas as credenciais para voltar a receber jogos do Campeonato Carioca, do futebol feminino, de certames universitários. O Caio Martins, guarida de vários clubes desde a década de 1940, se resume a memórias do passado. O último jogo data de dezembro de 2004, quando o Botafogo perdeu para o Corinthians. Há toda uma infraestrutura subutilizada. O Estádio Jair Bittencourt, palco de uma insólita derrota do Flamengo para o antigo Porto Alegre (depois Itaperuna Esporte Clube), está abandonado desde 2011, depois de demolição parcial iniciada em 2015.
E são apenas dois casos. Há vários outros de campos subutilizados e com necessidade de reforma, em Cabo Frio, Macaé, na Baixada Fluminense, pelas zonas Norte e Oeste do Rio. É tão óbvio quanto dizer que faz muito calor no Rio: onde existem programas de apoio ao esporte para crianças e adolescentes há queda nos índices de criminalidade. Sem política pública e vontade política, seguirão valendo as leis do mercado. E não há qualquer constrangimento ao empresariado, sabemos, em abandonar centros esportivos, se naufragadas as engenharias financeiras.
No quesito inclusão pelo esporte o Rio tem marcado sucessivos gols contra.
