Um mutirão de castração que deveria beneficiar dezenas de famílias no bairro Tapera, em Florianópolis, acabou se transformando em motivo de revolta e frustração. Cerca de 150 tutores, muitos deles moradores de comunidades em situação de vulnerabilidade, chegaram cedo com seus cães e gatos ao ponto de atendimento, mas o que encontraram foi o portão fechado e o silêncio.
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O ônibus-cirúrgico da MK Clínica Veterinária — também conhecida como Chubaci Castração Animal — simplesmente não apareceu.
Segundo relatos, não houve aviso prévio ou reprogramação da data por parte da empresa, que é contratada pela Prefeitura para oferecer castrações gratuitas. A justificativa informal veio apenas depois: uma suposta “pane mecânica” no veículo — um ônibus com quase 20 anos de uso, adaptado como centro cirúrgico móvel.
A falta de comunicação e o descaso com a comunidade geraram indignação entre os moradores, protetores independentes e voluntários da causa animal. Muitos caminharam por quilômetros com seus animais no colo ou na coleira, apenas para voltarem para casa sem atendimento e sem previsão de nova data.
A MK Clínica é comandada pela médica veterinária Kátia Chubaci, que já se envolveu em polêmicas durante eleições anteriores. Na época, foi acusada de supostamente oferecer castrações em troca de votos. Agora, a empresa volta a ser criticada pela incapacidade de cumprir compromissos com uma população vulnerável.
A ação de castração era considerada essencial para o controle populacional de animais e a prevenção de zoonoses. No entanto, foi conduzida de maneira improvisada e sem estrutura adequada. Moradores afirmam que o ônibus frequentemente apresenta problemas técnicos e não oferece segurança para os procedimentos.
Até o momento, nenhuma nota oficial foi emitida pela MK Clínica nem pela Prefeitura. Protetores relataram que não receberam nenhum retorno sobre reagendamento ou qualquer tipo de reparação.
Enquanto a Prefeitura tenta justificar nos bastidores o caso como “problema técnico”, a responsabilidade direta é da empresa, que aceitou o contrato e falhou na execução do serviço.
A população da Tapera, mais uma vez, fica no prejuízo — tanto os animais quanto as famílias que lutam por dignidade para seus bichinhos. Um episódio que mostra como a falta de estrutura e compromisso afeta diretamente quem mais precisa.



