Escândalo em SC: prefeito condenado a 22 anos e outros quatro no banco dos réus

Quatro ex-prefeitos de Santa Catarina passaram oficialmente à condição de réus após o Judiciário catarinense acatar denúncias apresentadas no âmbito da Operação Mensageiro, uma das maiores investigações de corrupção já deflagradas no Estado. A decisão faz com que os ex-chefes do Executivo municipal passem a responder formalmente a ações penais por suspeitas de fraudes em licitações, pagamento de propinas e favorecimento de empresas em contratos públicos.




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Tornaram-se réus os ex-prefeitos José Thomé, de Rio do Sul, filiado ao PSD; Adriano Poffo, de Ibirama, do MDB; Antônio Ceron, de Lages, também do PSD; e Júlio Ronconi, de Rio Negrinho, do Progressistas.

No caso de José Thomé (PSD), ex-prefeito de Rio do Sul, a denúncia aponta a prática de fraudes em contratos públicos, com indícios de superfaturamento e manipulação de processos licitatórios. Segundo a acusação, os contratos seguiam um padrão semelhante ao identificado em outros municípios investigados pela Operação Mensageiro, envolvendo direcionamento e prejuízo aos cofres públicos.

Já Adriano Poffo (MDB), ex-prefeito de Ibirama, é acusado de ter recebido propina mensal entre os anos de 2017 e 2019. De acordo com as investigações, ele estaria entre os prefeitos que mantinham contato com o operador do esquema conhecido como “mensageiro”, personagem central que deu nome à operação. A acusação sustenta que os pagamentos tinham como objetivo garantir favorecimento em contratos de serviços públicos.

O ex-prefeito de Lages, Antônio Ceron (PSD), responde por supostamente ter fraudado três licitações, com direcionamento de editais para beneficiar empresas ligadas ao grupo Serrana. A Justiça reconheceu que, em uma das concorrências investigadas, houve prescrição, o que impediu o avanço da denúncia nesse ponto específico. Ainda assim, os demais fatos foram considerados suficientes para o recebimento da ação penal.

Em Rio Negrinho, o ex-prefeito Júlio Ronconi (Progressistas) é acusado de ter recebido aproximadamente R$ 810 mil durante o mandato e mais R$ 650 mil após deixar o cargo, totalizando cerca de R$ 1,46 milhão. Segundo a denúncia, os valores teriam relação com o favorecimento da empresa Serrana em processos licitatórios realizados entre 2017 e 2020.

Além do avanço das ações contra os ex-prefeitos, a Operação Mensageiro também registrou uma condenação recente. O prefeito de Imaruí, Patrick Corrêa (Republicanos), foi condenado a 22 anos e 10 meses de prisão. A sentença também determinou a cassação do mandato, embora a legislação permita que os recursos contra a pena de prisão e contra a perda do cargo sejam apresentados em liberdade, enquanto o processo ainda não transita em julgado.

As investigações da Operação Mensageiro continuam em andamento e, nos bastidores, chegou a ser ventilada a possível citação do nome de um deputado estadual no curso das apurações. Embora tenha se falado em suposta delação há mais de um ano, até o momento não houve avanço formal nesse ponto.

Deflagrada em dezembro de 2022, a Operação Mensageiro apura um esquema estruturado de corrupção envolvendo prefeituras catarinenses, empresas prestadoras de serviços e intermediários, com foco principalmente em contratos de coleta de lixo, abastecimento de água e iluminação pública.



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