Esquerda e PSD já somam 18 votos pela manutenção da prisão de Rodrigo Bacellar

Em reunião na manhã desta quinta-feira (4), logo após a sessão plenária da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj), 12 deputados dos partidos de esquerda, PT, PSOL, PCdoB e PSB, fecharam posição pela manutenção da prisão do presidente da Casa, Rodrigo Bacellar (União Brasil), detido na véspera em operação da Polícia Federal no âmbito das investigações sobre suposta intermediação com integrantes do Comando Vermelho (CV). O grupo também decidiu votar pelo afastamento imediato do parlamentar do comando da Assembleia.

Partido do prefeito Eduardo Paes fecha orientação pela prisão

Mais cedo, os seis deputados estaduais do PSD (Átila Nunes, Claudio Caiado, Lucinha, Luiz Paulo, Munir Neto e Sérgio Fernandes) decidiram, em reunião convocada pelo presidente estadual da sigla, o deputado federal Pedro Paulo, orientar a bancada a votar pela manutenção da prisão de Bacellar.

Bacellar e Eduardo Paes protagonizaram embates recentes no tabuleiro político fluminense. O deputado chegou a ser cotado como sucessor de Cláudio Castro em um acordo que naufragou após o rompimento entre ambos no episódio que culminou na saída de Washington Reis (MDB) da Secretaria Estadual de Transportes.

Segundo integrantes presentes nas duas reuniões, há sinais de que parte da base do governador Cláudio Castro (PL) também deve aderir ao voto pela manutenção do encarceramento, apesar de o governo deter maioria entre os 70 deputados estaduais. A prisão, no entanto, abriu fissuras internas e aprofundou divergências sobre o futuro da Mesa Diretora.

A deputada Renata Souza (PSOL), que havia demonstrado cautela no início da manhã, afirmou, após a deliberação, que a decisão foi tomada em bloco. “As acusações são gravíssimas. Ainda não tivemos acesso aos autos, mas o que já é de conhecimento público exige responsabilidade. Não vamos permitir interferência política. Confiamos no trabalho da polícia”, disse.

Minc: “Caso envolve possível conivência com o crime organizado”

Há oito mandatos na Alerj, o deputado Carlos Minc (PSB) reforçou que a decisão da esquerda se baseia nos elementos divulgados até o momento. “Estamos falando de uma possível conivência com o Comando Vermelho. O deputado tem direito à ampla defesa, mas não é possível ignorar o que já veio à tona sobre a proximidade com alguém que vendeu armas e drones à facção”, afirmou.

Segundo ele, o caso também gerou desconforto entre deputados bolsonaristas. “Parlamentares da direita, que fazem discurso duro contra o crime, estão muito incomodados. Isso atinge diretamente a narrativa deles”, observou.

Minc acrescentou que a crise deve influenciar o cronograma político da Casa e gerar pressão sobre a eleição da Mesa Diretora marcada para fevereiro. “Há debate sobre quem assumiria a presidência, mas há quem avalie que o Supremo pode definir a situação antes“.

Embora não haja obrigatoriedade de voto alinhado, a posição do partido, que hora faz oposição ao governador e hora não, abriga o projeto eleitoral do prefeito e pré-candidato ao governo Eduardo Paes, foi interpretada como um movimento para isolar politicamente o presidente afastado da Alerj.

Votação vai expor a verdadeira força política de Bacellar no parlamento

Rodrigo Bacellar, que vinha ampliando seu poder desde que assumiu a presidência da Assembleia em 2023, consolidou forte influência sobre deputados da base e do Centrão fluminense, costurando cargos no governo e ampliando ascendência sobre prefeitos do interior. Sua articulação foi fundamental para garantir votações estratégicas do Executivo.

A prisão, porém, fragilizou esse arranjo. Deputados que dependiam da estrutura da presidência da Alerj para nomeações e liberações administrativas avaliam hoje que o desgaste de Bacellar pode comprometer a governabilidade de Cláudio Castro nos próximos meses.

No Palácio Guanabara, auxiliares admitem que a crise foi considerada “devastadora”, uma vez que Bacellar foi um dos principais operadores políticos do governo na Casa, antes do rompimento há 4 meses. A avaliação é que o episódio reacende disputas internas na base, inclusive entre aliados do próprio Castro, e pode acelerar articulações em torno de possíveis substitutos no comando do Legislativo.

Base do governo se divide e teme impacto nas eleições de 2026

Parlamentares alinhados ao governador ainda não firmaram posição pública, mas há indicações de que parte significativa deverá votar pela manutenção da prisão, tanto para evitar desgaste eleitoral quanto para se afastar de suspeitas de conivência com o crime organizado, um tema especialmente sensível em meio ao debate sobre segurança pública no estado.

Deputados governistas avaliam que manter Bacellar no cargo agravaria a crise institucional e prejudicaria a imagem do Executivo, que já enfrenta pressão por operações policiais, denúncias sobre milícias e desgaste com denúncias de corrupção em vários setores da administração e na campanha eleitoral de 2022.

A sessão que analisará a prisão deve ocorrer nos próximos dias, e a expectativa na Alerj é de que o resultado traga uma das votações mais decisivas dos últimos anos, com potencial para redesenhar a correlação de forças na Casa e influenciar diretamente a sucessão ao governo estadual.

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