Exército encerra negociação com Índia e busca sistema antiaéreo

O Exército brasileiro encerrou negociações com a Índia para aquisição de um novo sistema de defesa antiaérea e iniciou conversas com a Itália, que envolvem um investimento de até R$ 5 bilhões.

+ Leia mais notícias de Política em Oeste

A mudança atende à necessidade de ampliar a capacidade de interceptação de ameaças aéreas em altitudes superiores a 3 mil metros, um ponto considerado crítico na atual estrutura de defesa do país.

YouTube videoYouTube video

A escolha inicial era o sistema Akash, desenvolvido pelas estatais indianas Bharat Dynamics Limited (BDL) e Bharat Electronics (BEL). O equipamento foi projetado para oferecer proteção contra mísseis de cruzeiro, drones e aeronaves inimigas.

A compra consolidaria a posição do Brasil como referência regional em defesa antiaérea. No entanto, segundo fontes militares ouvidas pela CNN Brasil, as negociações não avançaram.

O principal impasse foi a recusa dos fabricantes indianos em oferecer a versão mais atual do Akash, equipada com tecnologia de Israel. Em vez disso, insistiram na venda de uma geração anterior do sistema, baseada exclusivamente em tecnologia indiana e com menor capacidade de atualização.

Desta maneira, ainda que o tema possa surgir em conversas entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o primeiro-ministro indiano Narendra Modi durante ou depois de encontros do grupo formado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul (Brics), fontes militares consideram o diálogo com a Índia encerrado neste momento.

Exército vê diferença entre o sistema antiaéreo da Itália e o da Índia

Com as tratativas paralisadas, o Exército passou a focar na aquisição do sistema europeu Emads, produzido pela empresa MBDA, com participação da Leonardo, sediada na Itália.

Esse modelo já foi selecionado pela Marinha do Brasil para equipar as fragatas da Classe Tamandaré, em construção no estaleiro de Itajaí (SC), o que facilita a integração entre as Forças Armadas.

Leia mais: “Índia busca se apresentar como potência global no Brics”

A avaliação do exército é de que a adoção de um sistema, agora na versão terrestre, já presente em outra força nacional favorece a unificação do treinamento, da logística e da manutenção.

Além disso, em tese, abre espaço para acordos industriais que permitam a produção local dos mísseis, fortalecendo a base tecnológica brasileira no setor de defesa.

Durante a negociação com a Índia, o Brasil propôs um acordo do tipo gov-to-gov (governo a governo), que previa também a venda dos aviões de transporte militar KC-390, da Embraer.

Segundo apuração da CNN Brasil, a ideia de incluir os KC-390 no pacote ainda está em discussão nas conversas com a Itália, mas a eventual aquisição do sistema Emads não está condicionada à compra das aeronaves.



NOTÍCIA