

Entre os meses de janeiro a junho de 2025, o Hospital Estadual Alberto Torres (Heat), no Colubandê, em São Gonçalo, recebeu 3.078 vítimas de acidentes de moto. O número é 31,9% superior ao do mesmo período de 2024, quando 2.334 acidentados deram entrada na unidade de saúde. Das vítimas deste ano, 2.154 sofreram acidentes no município: um total de 70%.
Diante da alta incidência de casos, a Prefeitura de São Gonçalo e o Heat firmaram uma parceria para promover a campanha “Imprudência custa caro”. O objetivo do projeto é alertar os usuários de motocicletas sobre os perigos da irresponsabilidade no trânsito.
O médico ortopedista Carlos Neves, um dos coordenadores do serviço de ortopedia do Heat, ressalta que os motociclistas acidentados impactam de forma significativa o atendimento à população, provocando a “concorrência desleal”, já que muitas vezes dos procedimentos são graves e demandam urgência. Isso leva ao adiamento de cirurgias eletivas de idosos e crianças, por exemplo. Além disso, há ainda a questão dos custos elevados que impedem a implantação de novos serviços no hospital.
“Os acidentes impactam diretamente na nossa assistência. Os de moto são 80% deles. É uma concorrência na demanda trivial do dia a dia. As fraturas dos idosos, crianças e adolescentes em idade escolar e os pequenos acidentes ficam para depois porque a gente tem que parar tudo para atender a emergência do trauma de alta complexidade. E, infelizmente, a maioria é acidente de moto com um perfil bem característico: idade entre 18 e 30 anos com pico de 20 anos. E ainda há adolescentes sem habilitação conduzindo moto e se acidentando”, explica Carlos Neves.
Como os traumas são cada vez piores e complexos, acabam impactando setores além da urgência e da emergência. “São traumas cada vez mais desafiadores. São politraumatizados e polifraturados em que há necessidade de implantes especiais de alto custo, medicações de alto custo, mais tempo de terapia intensiva e tempo estendido de internação hospitalar, ocupando leitos. Depois dessa assistência, a vítima ainda tem um longo percurso em reabilitação porque o paciente não sai apto para voltar às atividades sociais e laborativas. Ele continua gerando um alto custo para os contribuintes”, destaca o médico.
Após o processo cirúrgico, muitos dos pacientes atendidos devem passar por sessões de fisioterapia. Segundo o Heat, 50% das vítimas seguem para a reabilitação nas unidades de saúde municipais. Somente no primeiro semestre de 2025, a rede de saúde do município recebeu 1.539 pessoas para a continuidade do tratamento de fisioterapia e ortopedia.
O ortopedista destaca que a educação no trânsito poderia minimizar o atual cenário de acidentes envolvendo motocicletas, já que a maior parte delas acontece por imperícia – que acaba custando caro para a vítima, os médicos, as famílias e a sociedade.
“A palavra é educação. A maioria dos acidentes é por imperícia, negligência ou imprudência. Medidas simples de educação no trânsito, consciência, não só do motorista da moto, mas de todos os envolvidos, poderiam reduzir muitos acidentes. A grande mensagem é que a imprudência custa caro para todos. Não é só para a vítima, mas para quem cuida da vítima e para toda a sociedade. Esse indivíduo vai continuar gerando gastos com tratamento por longo período ou permanentemente”, conclui Carlos Neves.
