Durante evento do PSD realizado nesta quinta-feira (11), em Balneário Camboriú, o prefeito de Chapecó, João Rodrigues, subiu o tom e selou de vez o rompimento político com o governador Jorginho Mello (PL).
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Em um discurso inflamado, Rodrigues reforçou sua pré-candidatura ao governo do Estado em 2026, descartou qualquer possibilidade de aliança e lançou duras críticas ao atual chefe do Executivo catarinense.
“Se o sonho do governador era ver o PSD em sua chapa, esqueça. Eu vou ser candidato, com o apoio do meu partido, não importa quantos irão”, cravou Rodrigues.
Acusações de perseguição política
No discurso, o prefeito acusou Jorginho de retaliar prefeitos que não se alinham ao governo estadual, apontando cortes em repasses e convênios como forma de coação política. “Nesse Estado, ou você é aliado do governador ou não recebe emenda. Se tirar uma foto ao meu lado, perde o convênio”, denunciou.
Identidade política e recado à direita
Ao rebater críticas de bolsonaristas e reforçar sua própria trajetória conservadora, João Rodrigues também fez questão de deixar clara sua posição ideológica: “Se o assunto é direita, me respeite, eu sempre estive aqui. Se o assunto é esquerda, me respeite, porque o senhor esteve aliado do lado de lá.”
Ele afirmou que a eleição será marcada por uma comparação direta entre gestões: “Política se faz com P maiúsculo. É governar com dignidade e respeitar os prefeitos e lideranças eleitas pelo povo.”
Condenação de Bolsonaro e crítica ao extremismo
João Rodrigues também se manifestou sobre a recente condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro, classificando a decisão como injusta: “Se eu tivesse que renunciar a qualquer candidatura para que ele pudesse estar em liberdade, eu faria isso por carinho e respeito. Mas não sou do partido dele. Sou de um partido que me dá liberdade de escolha.”
Apesar da defesa enfática de Bolsonaro, Rodrigues apontou que o extremismo tem sido danoso ao país. “A população brasileira cansou do extremismo. O que aconteceu hoje é fruto desse extremismo. E o erro não foi do presidente, foi das Forças Armadas, que se calaram. Agora temos 400 inocentes presos, tudo por conta do silêncio e do radicalismo.”
“Eleição contra o sistema”
Rodrigues ainda fez denúncias veladas sobre supostas práticas de cooptação política por parte do governo estadual. “Alguns não veem, mas o povo vê. Eles fazem reunião na noite anterior e oferecem tudo: cargos, convênios, promessas bilionárias. Nós vamos fazer uma eleição contra esse sistema que compra pessoas e silencia adversários.”
O prefeito destacou o apoio do PSD nacional e afirmou que a sigla será “a voz do equilíbrio no Brasil”, exaltando também o governador do Paraná, Ratinho Junior, como aposta presidencial do partido.
Clima de confronto em SC
A fala de João Rodrigues escancara o racha entre PSD e PL em Santa Catarina e antecipa um cenário de forte polarização na disputa pelo governo em 2026. Ambos os líderes contam com base eleitoral sólida e forte apelo junto ao eleitorado de direita.
João Rodrigues sai na frente com discurso agressivo, tentativa de capitalizar o antipetismo e de se posicionar como alternativa viável ao bolsonarismo raiz. Já Jorginho Mello, que ainda busca consolidar sua base após dois anos de governo, terá que lidar com o avanço de um adversário que conhece bem o interior de SC e sabe mobilizar prefeitos e lideranças.
