Manuela d’Ávila admite desconexão da esquerda com o povo

A ex-deputada federal Manuela d’Ávila, atualmente sem filiação partidária, criticou a dificuldade da esquerda brasileira em se mobilizar nas ruas, atribuindo parte do fenômeno ao sucesso da direita nas redes sociais.

Em entrevista ao jornal Folha de S.Paulo, ela ressaltou a necessidade de entender que o mundo digital e o real são inseparáveis. Em 2023, Manuela deixou o PCdoB, depois de 25 anos de filiação, devido a divergências sobre a direção do partido e a federação com o PT.

“Vários traços da vida institucional são, diante dos olhos do povo, luxos aos quais a população não pode se dar”, disse Manuela. “A maneira como os parlamentares vivem é diferente da vida do povo trabalhador.”

Ela usou a metáfora de Maria Antonieta para destacar a desconexão entre a vida dos parlamentares e a do povo trabalhador, afirmando que “a maneira como os parlamentares vivem é diferente da vida do povo trabalhador”.

Além de Manuela d’Ávila: outros líderes da esquerda admitem fracasso na comunicação

Lula e Edinho SilvaLula e Edinho Silva
Edinho Silva foi prefeito de Araraquara, no Estado de São Paulo | Foto: Ricardo Stuckert/PR

Edinho Silva (PT-SP), ex-prefeito de Araraquara, já havia admitido a dificuldade da esquerda em se mobilizar, reconhecendo que a direita tem conseguido unir setores sociais. Ele enfatizou que as instituições de esquerda tentam maquiar a realidade, alertando para a necessidade de aprender com essa situação.

“Isso é um dado da realidade”, comentou Manuela. “Quem não enxerga a base social e a maneira como a ‘extrema direita’ tem aglutinado setores sociais? Em contrapartida, as nossas instituições estão tentando maquiar um dado da realidade, que é duríssima.”

Manuela também criticou a comunicação do governo Lula, ao dizer que os problemas não se limitam a isso, mas incluem a falta de compreensão sobre o papel das redes sociais.

Ela observou que “as redes sociais são mobilização e disputa intensa em torno de ideias”, sendo um desafio político que afeta a capacidade de mobilização da esquerda.

Prisão de Bolsonaro não elimina competitividade da direita

Quanto ao futuro político, Manuela não descartou concorrer em 2026 e já recebeu convites para se filiar a outros partidos. Apesar de não ter impedimentos pessoais para uma candidatura, ainda não tomou uma decisão definitiva.

Sobre a possível prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro, Manuela acredita que isso poderia prejudicar o que classifica como “extrema direita”, mas não eliminaria sua competitividade, já que suas ideias ainda atraem muitos eleitores. “A competitividade da extrema direita se mantém, pois suas ideias continuam girando”, comentou.

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