
Doze anos após a polêmica que a colocou no centro de intensos debates políticos, a filósofa, marxista e professora emérita da USP Marilena Chaui, de 84 anos, voltou a defender sua posição contra a classe média.
Em entrevista à Folha de S.Paulo, ela reafirmou a declaração que a consagrou como uma das mais controversas vozes do campo de esquerda. “Eu odeio a classe média até o fim dos meus dias”, disse. Relembro o vídeo ao fim da reportagem.
Segundo Chaui, a rejeição não é fruto de um julgamento pessoal, mas de uma análise marxista sobre o papel que esse grupo exerce na sociedade capitalista.
“A classe média funciona oprimindo os dominados e bajulando os dominantes. Por isso ela é odiosa”, argumentou. Para a filósofa, a função desse segmento é essencialmente ideológica, sustentando a hegemonia da burguesia e impedindo transformações estruturais.
Ela descreveu ainda o que entende como o “sonho e o pesadelo” que atravessam a vida da classe média: o sonho de ascender à burguesia — com símbolos de consumo como apartamentos luxuosos e status social — e o medo de cair entre os trabalhadores, os dominados.
“Ela pode ficar rica, mas burguesa ela não é. Enquanto não receber a mais-valia, não entra na burguesia. Por isso, funciona como cimento ideológico que mantém a sociedade como está”, afirmou.
Na entrevista, Chaui também analisou o atual cenário político brasileiro e internacional. Embora tenha considerado que a condenação de Jair Bolsonaro abre uma nova percepção sobre o país, sua visão continua sombria.
“Eu tenho uma visão muito pessimista da sociedade brasileira”, declarou, criticando a autoimagem de um povo supostamente cordial e acolhedor em contraste com práticas cotidianas marcadas por racismo, machismo e desigualdades de classe.
A filósofa ainda comentou o segundo mandato de Donald Trump, comparando-o a figuras do fim do Império Romano, como Calígula. Para ela, o republicano representa a desinstitucionalização dos Estados Unidos e um sinal de fragilidade do imperialismo americano.
O pessimismo de Chaui se estende também à esquerda, que, em sua avaliação, está fragmentada e enfraquecida por divisões internas e pela ascensão da extrema direita global. Ainda assim, ela segue defendendo que a economia, sob o prisma marxista, é o melhor método para compreender e transformar o mundo. (Foto: reprodução vídeo; Fonte: Folha de SP)
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Doze anos após a polêmica que a colocou no centro de intensos debates políticos, a filósofa, marxista e professora emérita da USP Marilena Chaui, de 84 anos, voltou a defender sua posição contra a classe média.
Em entrevista à Folha de S.Paulo, ela reafirmou a declaração que a consagrou como uma das mais controversas vozes do campo de esquerda. “Eu odeio a classe média até o fim dos meus dias”, disse. Relembro o vídeo ao fim da reportagem.
Segundo Chaui, a rejeição não é fruto de um julgamento pessoal, mas de uma análise marxista sobre o papel que esse grupo exerce na sociedade capitalista.
“A classe média funciona oprimindo os dominados e bajulando os dominantes. Por isso ela é odiosa”, argumentou. Para a filósofa, a função desse segmento é essencialmente ideológica, sustentando a hegemonia da burguesia e impedindo transformações estruturais.
Ela descreveu ainda o que entende como o “sonho e o pesadelo” que atravessam a vida da classe média: o sonho de ascender à burguesia — com símbolos de consumo como apartamentos luxuosos e status social — e o medo de cair entre os trabalhadores, os dominados.
“Ela pode ficar rica, mas burguesa ela não é. Enquanto não receber a mais-valia, não entra na burguesia. Por isso, funciona como cimento ideológico que mantém a sociedade como está”, afirmou.
Na entrevista, Chaui também analisou o atual cenário político brasileiro e internacional. Embora tenha considerado que a condenação de Jair Bolsonaro abre uma nova percepção sobre o país, sua visão continua sombria.
“Eu tenho uma visão muito pessimista da sociedade brasileira”, declarou, criticando a autoimagem de um povo supostamente cordial e acolhedor em contraste com práticas cotidianas marcadas por racismo, machismo e desigualdades de classe.
A filósofa ainda comentou o segundo mandato de Donald Trump, comparando-o a figuras do fim do Império Romano, como Calígula. Para ela, o republicano representa a desinstitucionalização dos Estados Unidos e um sinal de fragilidade do imperialismo americano.
O pessimismo de Chaui se estende também à esquerda, que, em sua avaliação, está fragmentada e enfraquecida por divisões internas e pela ascensão da extrema direita global. Ainda assim, ela segue defendendo que a economia, sob o prisma marxista, é o melhor método para compreender e transformar o mundo. (Foto: reprodução vídeo; Fonte: Folha de SP)
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