
Teve início nesta segunda-feira, 30 de junho, no Rio de Janeiro, a terceira e última reunião preparatória dos sherpas do BRICS, grupo formado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul. Os encontros seguem até 4 de julho, antecipando os debates da Cúpula de Líderes, marcada para os dias 6 e 7 de julho, também na capital fluminense, com sede no Museu de Arte Moderna (MAM), no Aterro do Flamengo.
Sob a liderança do embaixador Mauricio Lyrio, representante brasileiro e também Secretário de Clima, Energia e Meio Ambiente do Itamaraty, a reunião reúne os principais negociadores políticos dos países membros para discutir propostas em três áreas prioritárias: saúde, inteligência artificial e mudança do clima.
“A diplomacia, por meio da cooperação internacional, facilita o acesso a recursos e tecnologias, como as vacinas no BRICS, trazendo benefícios concretos para as pessoas. A inteligência artificial também pode ser uma aliada para combater desafios como a mudança do clima e melhorar a saúde”, destacou Lyrio em entrevista ao portal oficial do BRICS Brasil.
Saúde
Um dos principais pontos da agenda é a proposta de criação de uma Parceria para Eliminar Doenças Socialmente Determinadas. A iniciativa já foi respaldada pelos ministros de Saúde do BRICS, que buscam ampliar a cooperação em vacinas e estruturar ações conjuntas contra fatores como pobreza, fome e acesso precário à moradia — considerados pela OMS como determinantes centrais para a saúde das populações.
Inteligência Artificial
Outro foco da reunião é a construção de uma governança internacional da inteligência artificial, com ênfase na ética, inclusão digital e transferência de tecnologia. A meta é garantir que os países do Sul Global tenham protagonismo no desenvolvimento e aplicação dessas ferramentas, tradicionalmente dominadas por países do Norte. A proposta inclui criar infraestruturas tecnológicas acessíveis, linguagens abertas e uma plataforma cooperativa de desenvolvimento de IA.
Mudança do Clima
Na área ambiental, os países membros assinaram um acordo considerado inédito, que traça estratégias coletivas para o financiamento climático. A proposta envolve reformas em bancos multilaterais, financiamento concessional, mobilização de capital privado e revisão de regras regulatórias para aumentar o fluxo de investimentos sustentáveis nos países em desenvolvimento.
“Pela primeira vez vai haver um documento orientando uma ação conjunta do BRICS para garantir financiamento climático ao Sul Global”, afirmou a embaixadora Tatiana Rosito, secretária de Assuntos Internacionais do Ministério da Fazenda.
Também foi aprovada pelos ministros do Meio Ambiente uma declaração que reforça a defesa do multilateralismo ambiental e da governança global equilibrada e inclusiva.
Caminho até a Cúpula
A primeira reunião de sherpas, realizada em fevereiro, no Itamaraty, aprovou os temas centrais propostos pelo Brasil, incluindo a renovação da Parceria Estratégica Econômica, com duração de cinco anos. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva participou do encontro e destacou o papel do multilateralismo para uma governança internacional mais justa.
Já o segundo encontro, realizado em abril no Rio, teve como novidade a participação da sociedade civil, por meio do pilar People-to-People (P2P). A reunião resultou no entendimento de que o Novo Banco de Desenvolvimento (NDB) deve assumir papel de liderança no financiamento à industrialização dos países do Sul Global.
Agora, com os sherpas reunidos na capital fluminense, a expectativa é fechar consensos que servirão de base para os anúncios e decisões da Cúpula de Chefes de Estado e Governo. O evento reunirá as principais lideranças políticas do bloco, incluindo o presidente Lula, e consolidará os resultados da presidência brasileira no grupo em 2025.
