“Nem pro Papa atendo 2h da manhã”: Washington Reis desafia Castro e Bacellar e entra na corrida pelo governo

Respectivamente, Washington Reis e Cláudio Castro

Após encontro com o governador Claudio Castro (PL), na manhã de desta quinta-feira, dia 10, no Palácio Guanabara, o ex-secretário estadual de Transportes, Washington Reis (MDB), saiu com sua exoneração do cargo confirmada politicamente pelo chefe do Executivo e já lançando sua candidatura “inegociável” a governador nas eleições do ano que vem e que não aceitou convite para ser vice na chapa do prefeito Eduardo Paes (PSD) e nem candidatura ao Senado.

“Jamais serei candidato a vice do Paes (PSD) e nem a senador. Os meus candidatos são Flávio Bolsonaro e Claudio Castro. Sou candidato a governador e marcharei com o ex-presidente Jair Bolsonaro. PT é chance zero”, disse, em entrevista à Rádio CBN, minutos após o encontro nas Laranjeiras. Reis, inclusive, já revelou quem será o seu vice, o atual prefeito de Campos, Wladimir Garotinho (Progressistas), filho dos ex-governadores Rosinha e Anthony Garotinho.

O ex-prefeito de Caxias e atual presidente do MDB Fluminense disse que a maior parte do tempo em que esteve com Castro foi para um balanço de sua gestão e aproveitou para anunciar realizações na área dos transportes durante o período em que esteve a frente da pasta. Ele garantiu que até o final deste mês as passagens de Metrô (R$ 7,90) e de Trem (R$ 7,60) serão reduzidas para R$, 4,70, mesmo valor da tarifa dos ônibus. “Estes valores são uma vergonha. São as passagens mais caras do Brasil. Eu corto os meus dois braços se esta redução não sair até o final de julho”, afirmou, categórico. Ele revelou ainda a adoção de novo sistema de bilhetagem nos ônibus, o PIX-RJ, mas não deu maiores detalhes.

Reis minimizou a polêmica entorno de sua exoneração ter sido feita pelo presidente da Assembleia Legislativa, o deputado Rodrigo Bacellar (União Brasil), candidato do grupo político de Claudio Castro ao mesmo cargo almejado por ele. “Nem conheço esse moço. Para sua estrela brilhar, não precisa apagar a dos outros. Não vou dar audiência para esse moço”. Na entrevista exclusiva ao jornal O Globo na noite desta quarta, 9, antes de saber da carta do governador lida por Bacellar para 30 deputados em jantar em um restaurante de Ipanema, Reis revelou que Castro ligou pra ele assim que saiu a exoneração.

“Ele me ligou 2 horas da manhã lá de Portugal na semana passada. Até brinquei dizendo que nesse horário não costumo atender nem ao Papa se me ele ligasse. Aí, ele me pediu desculpas e disse que, quando voltasse da Europa, voltaria atrás do que tinha sido feito. Agora me chamou para uma reunião hoje de manhã no Palácio Guanabara”, revelou. Ao ser informado pelo repórter da carta e do jantar, apenas respondeu. “Então, vida que segue”.

Washington Reis se negou a opinar sobre a possibilidade de Castro ter virado refém de Bacellar e que quem realmente mandava no Estado era o deputado. “Todo mundo que está acompanhando essa história consegue ter uma leitura do processo. Não serei eu a dar esse ibope para o Bacellar”, limitou-se a dizer, garantindo que não ficou magoado pelo fato de Castro não ter ficado do lado dele.

O ex-secretário mostrou-se confiante em reverter sua inelegibilidade decretada pelo Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal (STF), o que o fez desistir de ser candidato a vice do próprio Castro, no pleito de 2022. “Desisti naquele ano para não deixar a chapa do governador sangrando. A prioridade era ele vencer. Mas enfrento esse caso desde 2016, quando fui condenado, e já consegui ser candidato a prefeito em 2020 com um efeito suspensivo”, disse, revelando ainda ação do ministro Gilmar Mendes para livra-lo da inelegibilidade. No meio político, esta ação do ministro é creditada ao prefeito Eduardo Paes, o que poderia desaguar em uma aliança entre eles no pleito do ano que vem. Reis nega.

“Isso é mentira cabeluda que fica sendo plantada na imprensa pelo Palácio Guanabara. Não cometi crime nenhum e vou reverter a situação na Justiça. Estão me tratando como se eu tivesse assassinado alguém”, se defendeu. Reis foi denunciado por causar danos ambientais em uma área em que havia determinado a execução de um loteamento denominado Vila Verde, localizado ao lado da Reserva Biológica do Tinguá.

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