O gabinete do ódio de Alexandre de Moraes


A nova temporada da “Vaza Toga” promete ser emocionante. Publicada por Oeste, e já conhecida como “Vaza Toga 3”, ela bem que se poderia chamar de A Comédia dos Erros Democráticos, ou, quem sabe, O Big Brother Supremo. Graças às revelações de Oeste, descobrimos que o tão propalado “gabinete do ódio” bolsonarista — esse fantasma útil de que tanto se nutriram redações militantes e justiceiros de toga — não passava de caricatura. O verdadeiro gabinete do ódio não se reunia em porões obscuros, mas nos salões refrigerados da Justiça Eleitoral, sob a batuta vigilante e obsessiva de Alexandre de Moraes.

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Ali, longe do rumor das ruas, tramava-se a censura como quem organiza um convescote: com elegância burocrática, convites cifrados e ordens repassadas via WhatsApp. Não era a “desinformação” que se pretendia combater, mas o herege político a ser banido da ágora virtual. A rede social Gettr, por exemplo, foi despachada ao limbo digital não por crime algum, mas por ousar abrigar vozes indesejadas. Uma frase lacônica bastava: “Veja se bloqueia a Gettr”. E assim se fazia.

Mais irônico ainda: termos como “voto auditável” e “eu autorizo” — expressões tão corriqueiras no debate político nacional — foram classificados como “nocivos” e imediatamente encaminhados para o paredão de fuzilamento digital. Orwell, decerto, teria corado diante de tamanha audácia semântica.

Ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF) | Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil
Ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF) | Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil

O zeloso trabalho do gabinete do ódio

Quando se tratava de perseguir adversários específicos, o zelo jurídico dava lugar ao deboche de boteco. Carla Zambelli — hoje presa na Itália — que o diga: em mensagens reveladas, um dos membros do gabinete paralelo alexandrino (que decerto denuncia o “machismo estrutural” em seminários e palestras) comemorava, em tom de ironia rasteira, a oportunidade de “ferrar com essa mulher”. Eis o nível da liturgia que hoje governa o que ainda ousamos chamar de “Justiça”.

Ao fim, a farsa se revela: enquanto o bolsonarismo era acusado de cultivar um gabinete de ressentidos, o supremo tribunal revolucionário arquitetava o seu próprio, agora com poder real de interditar vozes e suprimir consciências. O “ódio” não estava nos subterrâneos das redes sociais, mas na altivez de uma toga que, alheia à sua missão constitucional, converteu-se no uniforme oficial do estado de exceção.

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