
Na manhã desta segunda-feira me deparei com um vídeo do apresentador William Bonner, do Jornal Nacional, informando que estava embarcando em um avião da Força Aérea Brasileira (FAB) rumo a Canoas (RS), de onde ele apresentaria a edição da noite. Ele ainda explica que a “carona” (bem indevida) se devia ao fato de que o avião estava levando doações – e ele estaria apenas “aproveitando”.
É interessante que a postura preocupada de Bonner não tenha se refletido no encerramento do Jornal Nacional de sábado, quando os apresentadores Helter Duarte e Ana Paula Araujo desejaram boa noite anunciando que dali a poucas horas a TV Globo transmitira o show da cantora americana Madonna. Àquele momento, já havia mais de 50 mortos na tragédia do Rio Grande do Sul, e mais de 100 mil desabrigados. A tragédia não causava a menor comoção. Ao longo do deprimente show de Madonna – exposto na TV Globo sem qualquer aviso de restrição para crianças – via-se corpos nus desfilando, simulações de sexo oral e de conjunção carnal, gestos indecorosos da própria cantora e até mesmo um ato de desprezo da parte dela (que cuspiu cerveja na plateia).
Não posso deixar de lembrar que a cantora cometeu dezenas de blasfêmias e atos de desrespeito e desprezo às religiões cristãs – tudo devidamente transmitido pela “emissora do plim-plim”, como se dizia em tempos mais ingênuos – tempos estes em que uma criança podia assistir à programação da Globo das 9h às 22h. Hoje em dia, no começo da tarde já temos que desligar a TV.
Em nenhum momento do show houve uma pausa de silêncio por Porto Alegre, Canoas, Bagé, Serra Gaúcha, Gramado. Nada. Afinal, as fotos de esquerdistas no telão (inclusive, pasmem, de integrantes do atual governo) eram mais importantes. Também era “mais importante” o que os esquerdistas estão chamando de “resgate da camisa do Brasil” – curioso que quando a camisa da seleção era usada para simbolizar a rejeição ao vermelho do comunismo, isso era “errado”. Mas o esquerdista médio considera que agora sim, pode usar a camisa da seleção, já que uma senhora de 65 anos simulou beijar o traseiro de um outro artista enquanto ambos estavam com o uniforme. É uma régua moral curiosa.
E é uma régua moral curiosa a da TV Globo, muito semelhante à da Prefeitura que distribuiu 1000 ingressos para os amiguinhos do prefeito irem à área VIP – que como já vimos, foi regada a uísque, champanhe e cervejas caras e muita comida. Nem a Prefeitura e nem a TV Globo se importam com as milhões de crianças que viram, sem nenhuma restrição de horário, e em todas as redes sociais, as cenas de homens nus se esfregando e da sexagenária cantora praticando atos libidinosos em público. Mas tudo no sábado deles foi de risos e gargalhadas: milhões de patrocínio, área VIP para os amiguinhos, devassidão e pecado no palco e “lacração” nas redes.
Enquanto isso, o Rio Grande do Sul chorava seus mortos e desabrigados. Provavelmente na noite desta segunda a TV Globo enfim fará pelo menos um minuto de silêncio. Um minuto já é alguma coisa. Bem que podia ser por mais tempo.
Madonna? Já está fora do Brasil, onde deveria ficar sempre.

