Um vídeo publicado nas redes sociais, em que o ex-candidato a deputado federal Constantino de Freitas aparece sorrindo e brindando enquanto comenta a operação da Polícia Federal contra o ex-presidente Jair Bolsonaro, provocou uma crise de imagem para a empresa da qual é sócio, a Shambala Naturais, sediada em Gravatal (SC). A repercussão nas redes sociais foi imediata e dividiu opiniões, mas o impacto mais direto foi econômico: milhares de internautas passaram a anunciar boicote aos produtos da marca, associando a empresa ao “petismo militante”.
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No vídeo, Constantino aparece com uma garrafa na mão ao lado de uma mulher, visivelmente alegre, e o texto sobreposto diz:
“Petistas de Gravatal comemoram operação da PF contra Bolsonaro. Qual sua opinião?”
A publicação foi feita por uma página regional e viralizou rapidamente. O tom da gravação, visto por muitos como deboche, coincide com o dia em que Bolsonaro foi obrigado por decisão do STF a usar tornozeleira eletrônica e se submeter a medidas cautelares, no âmbito da Petição 14.129, que investiga suposta tentativa de golpe.
A resposta do público veio em massa: os comentários no vídeo se dividiram entre apoiadores de Lula e defensores de Bolsonaro, mas a maior parte se mostrou indignada com a associação entre a manifestação política e a marca Shambala. Frases como:
“nunca mais compro nada dessa empresa”, “boicote total à Shambala” “vão falir apoiando petista”
se repetiram entre os comentários.
Empresário é militante político e apoiador histórico de Lula
Constantino de Freitas não é apenas um empresário. Ele foi candidato a deputado federal pelo Partido dos Trabalhadores (PT) em 2022, com o número 1320, e usou abertamente sua imagem ao lado de Lula durante a campanha. Em seus perfis pessoais no Instagram e Facebook, há dezenas de publicações exaltando o ex-presidente, defendendo suas pautas e atacando adversários políticos.
Em uma das postagens, ele afirma:
“Lula não é comunista, quer um mundo menos desigual”.
Em outra, aparece ao lado de eleitores em manifestações com bandeiras do PT, além de divulgar sua candidatura como:
“candidato de Lula em Santa Catarina”.
Até os dias atuais, Constantino segue ativo em atividades de movimentos sociais e debates sobre aplicação de emendas parlamentares na região Sul catarinense.
Shambala se manifesta e tenta conter danos
Diante da enxurrada de críticas, a Shambala Naturais publicou duas notas oficiais nas redes sociais, tentando se desvincular das falas de Constantino. Em uma delas, a empresa afirma:
“A manifestação é de cunho estritamente pessoal, não refletindo o posicionamento institucional da empresa.”
Outra nota reforça que a sociedade da empresa é formada por três sócios com visões ideológicas distintas, e que a opinião de um deles não representa a empresa como um todo. O comunicado ainda lembra que a Shambala mantém cerca de 50 colaboradores cujas famílias dependem da reputação e continuidade das operações.
“A empresa não merece — nem deve — ser prejudicada por manifestações pessoais que não guardam relação com sua atuação institucional.”
Apesar das notas de esclarecimento, o dano à imagem parece já ter sido causado. A seção de comentários das redes da Shambala segue com diversas manifestações de insatisfação. Usuários dizem que:
“não compram mais nem um chá”, “agora só compram produtos de marcas neutras”.