PF bate à porta de Bolsonaro menos de 12h após Lula chamá-lo de “traidor da pátria” em rede nacional

Brasília (DF) – Na noite de quinta-feira (17), o presidente Lula usou a TV e o rádio para acusar Jair Bolsonaro e seus aliados de apoiar ataques contra o Brasil. Menos de 12 horas depois, a Polícia Federal estava na porta do ex-presidente, cumprindo mandados de busca e apreensão e notificando novas medidas restritivas determinadas pelo Supremo Tribunal Federal (STF).




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Por ordem do ministro Alexandre de Moraes, Bolsonaro terá que usar tornozeleira eletrônica, está proibido de acessar redes sociais e de manter contato com diplomatas estrangeiros ou outros investigados no inquérito que apura tentativa de golpe de Estado. A decisão inclui ainda o próprio filho do ex-presidente, Eduardo Bolsonaro, que está nos Estados Unidos.

Além disso, Bolsonaro deverá cumprir recolhimento domiciliar noturno, entre 19h e 7h. Segundo aliados, ele foi levado ainda pela manhã para instalação do equipamento de monitoramento eletrônico.

Clima de guerra política entre Planalto, STF e Washington

A operação da PF ocorre em meio a uma escalada de tensão institucional e internacional. Na mesma noite em que Lula discursou, o ex-presidente norte-americano Donald Trump divulgou uma nova carta em defesa de Bolsonaro, chamando o julgamento no STF de “caça às bruxas” e pedindo que ele fosse interrompido imediatamente. O republicano ainda usou o caso para justificar as tarifas de 50% impostas contra produtos brasileiros.

No seu pronunciamento, Lula não poupou críticas e subiu o tom:

“Esse ataque ao Brasil tem o apoio de alguns políticos brasileiros. São verdadeiros traidores da pátria. Apostam no quanto pior, melhor. Não se importam com a economia do país e os danos causados ao nosso povo.”

Sem citar nomes, o recado foi visto como um golpe direto contra Bolsonaro e seus aliados, especialmente diante da proximidade entre o ex-presidente e Trump. Lula também reforçou que “gringo não dá ordem aqui” e que qualquer tentativa de interferência na Justiça brasileira representa um atentado à soberania nacional.

Alvo de inquérito, Bolsonaro amanhece sob ordens do STF

Jair Bolsonaro é réu em ação penal que investiga tentativa de golpe após as eleições de 2022. Segundo a Procuradoria-Geral da República (PGR), há indícios de que o ex-presidente tentou articular um plano para deslegitimar o resultado das urnas e manter-se no poder. As investigações apontam desde reuniões com militares até o estímulo a manifestações golpistas.

As medidas cautelares determinadas agora por Moraes teriam como objetivo conter risco de fuga e supostas articulações com figuras políticas e diplomáticas internacionais, como Trump.

Do discurso à execução: o timing chama atenção

A rapidez da operação após o discurso de Lula despertou críticas e elogios. Aliados do ex-presidente afirmam que se trata de uma ação coordenada com fins políticos. Já apoiadores do governo e de setores jurídicos veem o avanço como cumprimento da lei.

Até o momento, Jair Bolsonaro não se pronunciou. A defesa confirmou o cumprimento dos mandados, mas ainda não comentou as medidas impostas pelo STF.

Crise aberta entre Brasil e EUA

A ofensiva de Trump contra o governo Lula, somada ao tarifaço, acendeu o alerta no Palácio do Planalto. Lula afirmou que usará todos os instrumentos legais, incluindo a Lei da Reciprocidade e recursos na Organização Mundial do Comércio (OMC), para defender a economia e a soberania do Brasil.

O presidente também prometeu regulamentar e taxar big techs — um dos temas que irritaram o governo americano — e defendeu o Pix como patrimônio do povo brasileiro.

“Não aceitaremos ataques ao Pix. Temos um dos sistemas de pagamento mais avançados do mundo, e vamos protegê-lo”, declarou Lula.

Enquanto isso, o Brasil assiste à crise se aprofundar

Em menos de 24 horas, o país viu um presidente em rede nacional acusando seu antecessor de traição, um aliado internacional intervindo com ameaças comerciais e a Polícia Federal agindo sob ordens do STF. O cenário é de tensão crescente — entre Poderes, entre nações, e dentro da própria democracia brasileira.

A reportagem segue em atualização.



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