PF diz que Bolsonaro e advogado de Trump atuaram juntos contra Moraes


O relatório final da Polícia Federal (PF) acusa o ex-presidente Jair Bolsonaro e o advogado Martín de Luca de manterem contato frequente sobre ações judiciais e notas públicas. A investigação trata do ex-presidente e de seu filho Eduardo Bolsonaro por suposta tentativa de obstrução da Justiça.

De Luca representa a Trump Media Group, do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e a plataforma Rumble. Ele atua em processos contra o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), nos EUA. As ações questionam decisões do magistrado que envolvem as empresas.

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As mensagens extraídas do celular de Bolsonaro mostram que ele recebia petições, orientações de comunicação e pedidos de entrevistas encaminhados por De Luca.

Print de conversa entre Jair Bolsonaro e Martin de Luca
Print de conversa entre Jair Bolsonaro e Martin de Luca | Foto: Divulgação/ PF

Ainda segundo o relatório, os dois atuavam em “convergência de interesses” para amplificar ataques direcionados ao Supremo Tribunal Federal (STF), na pessoa do ministro Alexandre de Moraes, de forma a atingir a jurisdição brasileira”.

PF descreve ‘convergência de interesses’ entre Bolsonaro e De Luca

No dia 13 de julho, Bolsonaro enviou a De Luca uma minuta de publicação em que elogiava carta de Trump a Lula sobre o tarifaço de 50% contra produtos brasileiros. Em áudio, pediu ao advogado revisão do texto.

De Luca respondeu que prepararia um resumo de “como pode melhorar a comunicação do tarifaço”. No dia seguinte, enviou ao ex-presidente uma petição da Trump Media e da Rumble contra Moraes, protocolada na Justiça norte-americana.

Em outra mensagem, Bolsonaro mencionou que a solução para o tarifaço seria “anistia/liberdade Jair Bolsonaro”. A PF encontrou cópia impressa do documento três dias depois na casa de Bolsonaro.

Envio de documentos de De Luca a Bolsonaro
Envio de documentos por De Luca a Bolsonaro | Foto: Divulgação/ PF

Advogado reage e acusa distorção

Em nota, De Luca disse que a PF tenta transformar “correspondências profissionais rotineiras” em prova de “subordinação estrangeira”. “Como advogado norte-americano, presto regularmente orientação jurídica e de comunicação”, afirmou. “Esse é o meu trabalho.”

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Ele declarou que, pela lógica da PF, “qualquer político que recorra a advogado ou estrategista estaria conspirando contra a democracia”. Também acusou Moraes de liderar “uma incansável campanha de censura” e disse que seguirá atuando “de forma transparente e profissional, sem medo.”

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