Planalto teme contestação de Trump caso Lula vença eleições sem Bolsonaro

O Palácio do Planalto avalia que as medidas econômicas recentes impostas por Washington — tarifas e sanções contra membros do judiciário e do governo — vão além de um gesto diplomático e configuram uma tentativa de uma suposta ‘interferência política’.

De acordo com reportagem da Folha de S. Paulo, integrantes do governo acreditam que os movimentos de Trump têm como objetivo garantir a presença de um candidato alinhado a sua agenda na disputa presidencial brasileira.

Ainda de acordo com o jornal, o governo brasileiro também acredita que, caso haja vitória do presidente Lula (PT) no ano que vem, haverá questionamento da legitimidade da disputa no Brasil por parte de Trump.

O deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) já havia feito declarações públicas nesse sentido, afirmando repetidamente que, se seu pai não estiver apto a concorrer, os Estados Unidos poderiam se recusar a reconhecer o resultado da eleição.

A análise interna no Planalto é de que Washington age para reafirmar sua influência na América Latina, tratada como “seu quintal”.

O Brasil observa com atenção outras sinalizações da diplomacia americana: críticas à prisão do ex-presidente colombiano Álvaro Uribe, referência de direita no país, e apoio explícito à detenção da ex-presidente argentina Cristina Kirchner, de esquerda.

No fim de julho, o futuro embaixador dos EUA em Buenos Aires, Peter Lamelas, afirmou que Cristina deveria “receber a justiça que merece”. Segundo ele, “se ela não fosse política, estaria na prisão. Ela está em prisão domiciliar por algum tipo de favoritismo político”.

Já o secretário de Estado, Marco Rubio, saiu em defesa de Uribe, dizendo que seu “único crime foi lutar e defender incansavelmente sua pátria”, acusando magistrados colombianos de serem “juízes radicais” que estariam “instrumentalizando” o Judiciário.

Enquanto isso, Lula tem intensificado contatos com países que também enfrentaram medidas restritivas do governo Trump. Nesta semana, o presidente deve conversar com Emmanuel Macron (França), Friedrich Merz (Alemanha), Ursula von der Leyen (Comissão Europeia) e Cyril Ramaphosa (África do Sul).

Apesar das tensões, integrantes do governo brasileiro não acreditam que Washington vá atingir diretamente o sistema financeiro nacional. Uma fonte afirmou que sanções contra bancos brasileiros seriam “temerárias”, por risco de instabilidade econômica que poderia inclusive prejudicar setores do mercado próximos ao bolsonarismo, como a Faria Lima.

Ainda assim, existe o receio de que a Lei Magnitsky seja usada contra magistrados brasileiros, em especial no contexto do julgamento de Bolsonaro. Para integrantes do Planalto, esse tipo de medida poderia vir antes ou depois da decisão no STF. (Foto: reprodução vídeo; Fonte: Folha de SP)

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O Palácio do Planalto avalia que as medidas econômicas recentes impostas por Washington — tarifas e sanções contra membros do judiciário e do governo — vão além de um gesto diplomático e configuram uma tentativa de uma suposta ‘interferência política’.

De acordo com reportagem da Folha de S. Paulo, integrantes do governo acreditam que os movimentos de Trump têm como objetivo garantir a presença de um candidato alinhado a sua agenda na disputa presidencial brasileira.

Ainda de acordo com o jornal, o governo brasileiro também acredita que, caso haja vitória do presidente Lula (PT) no ano que vem, haverá questionamento da legitimidade da disputa no Brasil por parte de Trump.

O deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) já havia feito declarações públicas nesse sentido, afirmando repetidamente que, se seu pai não estiver apto a concorrer, os Estados Unidos poderiam se recusar a reconhecer o resultado da eleição.

A análise interna no Planalto é de que Washington age para reafirmar sua influência na América Latina, tratada como “seu quintal”.

O Brasil observa com atenção outras sinalizações da diplomacia americana: críticas à prisão do ex-presidente colombiano Álvaro Uribe, referência de direita no país, e apoio explícito à detenção da ex-presidente argentina Cristina Kirchner, de esquerda.

No fim de julho, o futuro embaixador dos EUA em Buenos Aires, Peter Lamelas, afirmou que Cristina deveria “receber a justiça que merece”. Segundo ele, “se ela não fosse política, estaria na prisão. Ela está em prisão domiciliar por algum tipo de favoritismo político”.

Já o secretário de Estado, Marco Rubio, saiu em defesa de Uribe, dizendo que seu “único crime foi lutar e defender incansavelmente sua pátria”, acusando magistrados colombianos de serem “juízes radicais” que estariam “instrumentalizando” o Judiciário.

Enquanto isso, Lula tem intensificado contatos com países que também enfrentaram medidas restritivas do governo Trump. Nesta semana, o presidente deve conversar com Emmanuel Macron (França), Friedrich Merz (Alemanha), Ursula von der Leyen (Comissão Europeia) e Cyril Ramaphosa (África do Sul).

Apesar das tensões, integrantes do governo brasileiro não acreditam que Washington vá atingir diretamente o sistema financeiro nacional. Uma fonte afirmou que sanções contra bancos brasileiros seriam “temerárias”, por risco de instabilidade econômica que poderia inclusive prejudicar setores do mercado próximos ao bolsonarismo, como a Faria Lima.

Ainda assim, existe o receio de que a Lei Magnitsky seja usada contra magistrados brasileiros, em especial no contexto do julgamento de Bolsonaro. Para integrantes do Planalto, esse tipo de medida poderia vir antes ou depois da decisão no STF. (Foto: reprodução vídeo; Fonte: Folha de SP)

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