PMs de Goiás vão a júri por chacina de jovens e sumiço de adolescente

Quatro policiais militares de Goiás vão a júri popular pelos assassinatos de três pessoas e pela ocultação do cadáver do adolescente João Vitor Mateus de Oliveira, de 14 anos. A decisão foi proferida no domingo (25/1) pelo juiz Lourival Machado da Costa, do Tribunal de Justiça de Goiás (TJGO). O caso foi revelado pelo Metrópoles.

Os réus são o major Fabrício Francisco da Costa, o 2º sargento Cledson Valadares Silva Barbosa, o 1º sargento Éder de Sousa Bernardes e o 3º sargento Thiago Antônio de Almeida. Eles respondem por homicídio qualificado contra Divino Gustavo de Oliveira, Matheus Henrique de Barros Melo e Marley Ferreira Nunes, além de homicídio qualificado e ocultação de cadáver no caso do adolescente João Vitor.

João Vitor, de 14 anos, desapareceu após PM matar três jovens
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João Vitor, de 14 anos, desapareceu após PM matar três jovens

Arquivo pessoal

Matheus, de 19 anos, morto pela PM, teria permitido que casa fosse usada para "esfriar" carro roubado
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Matheus, de 19 anos, morto pela PM, teria permitido que casa fosse usada para “esfriar” carro roubado

Arquivo pessoal

Marley, de 17 anos, foi para a casa de Matheus depois de sair do trabalho em restaurante
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Marley, de 17 anos, foi para a casa de Matheus depois de sair do trabalho em restaurante

Arquivo pessoal

Gustavo, de 19 anos, tinha acabado de chegar na casa de Matheus, quando a PM chegou
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Gustavo, de 19 anos, tinha acabado de chegar na casa de Matheus, quando a PM chegou

Arquivo pessoal

Ao analisar o conjunto de provas reunidas ao longo da instrução, o magistrado entendeu que há materialidade dos crimes e indícios suficientes de autoria para submeter os acusados ao julgamento pelo Tribunal do Júri.

Segundo a decisão, as qualificadoras atribuídas pelo Ministério Público foram mantidas. Entre elas, a de que as vítimas teriam sido surpreendidas dentro da residência, em circunstâncias que dificultaram ou impediram a defesa, além da tese de que a morte de João Vitor teria ocorrido para assegurar a impunidade dos policiais em relação aos outros homicídios.

Relembre o caso

João Vitor desapareceu em abril de 2018, após sair de casa para jogar videogame na residência de um amigo, no bairro Solar Bougainville, em Goiânia. Na mesma noite, três jovens que estavam no local foram mortos durante uma ação do Batalhão de Choque da Polícia Militar. O corpo do adolescente, no entanto, nunca foi encontrado. O caso foi revelado pelo Metrópoles.

De acordo com as investigações, os policiais entraram na casa após a informação de que um carro furtado estaria na garagem. O veículo teria sido deixado ali para “esfriar” por um conhecido de Matheus Henrique, de 19 anos, dono da residência. Ele morava no imóvel com a avó, que não estava em casa no momento da ação policial.

Os militares alegaram que foram recebidos a tiros e que agiram em legítima defesa. As apurações, porém, apontaram divergências nessa versão. Conforme o inquérito, Divino Gustavo, de 19 anos, tentou se esconder em um quarto, mas teve a porta arrombada e foi atingido por três disparos. Marley, de 17 anos, tentou pular o muro da casa e foi morto com quatro tiros. Um vizinho relatou ter ouvido pedidos de socorro antes dos disparos.

Corpos foram encontrados em diferentes pontos da casa

As investigações indicam que João Vitor presenciou as execuções dos amigos e não teria sido morto no local. Segundo o Ministério Público, o adolescente foi colocado vivo em uma viatura policial, levado a um matagal próximo e executado a tiros. Em seguida, o corpo teria sido retirado do local e ocultado.

Uma testemunha afirmou ter visto dois veículos chegarem ao matagal com quatro homens encapuzados e uma quinta pessoa de “corpo franzino”. Ainda segundo o depoimento, um dos homens teria gritado “corre, corre”, antes de a pessoa fugir pela mata e ser atingida por disparos. No local, foram encontrados um par de chinelos de João Vitor, a carcaça de um celular e projéteis de arma de fogo.

Para os investigadores, o adolescente foi morto para evitar que denunciasse o que havia presenciado, o que asseguraria a impunidade dos autores das três primeiras mortes.

Caso ganhou repercussão após reportagem do Metrópoles

Conhecido como “Chacina do Solar Bougainville”, o caso ficou anos sem avanços. A investigação só foi retomada após a publicação de uma reportagem do Metrópoles, em agosto de 2021, que revelou a paralisação do inquérito e a angústia da família de João Vitor. Após a repercussão, o Ministério Público de Goiás determinou a retomada das apurações e cobrou a investigação conjunta das mortes e do desaparecimento.

Familiares das vítimas se organizaram no movimento Mães Pela Paz. A avó de Matheus Henrique, Maria Ramos, escreveu um livro sobre o caso, intitulado Por que não me sinto segura dentro da minha própria casa?

PMs de Goiás vão a júri por chacina de jovens e sumiço de adolescente - destaque galeria

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Avó de vítima escreveu livro sobre a mortes dos três jovens e desaparecimento de João Vicor

Mortes e desaparecimento são lembrados por familiares
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Mortes e desaparecimento são lembrados por familiares

Reprodução

Avó de vítima escreveu livro sobre a mortes dos três jovens e desaparecimento de João Vicor
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Avó de vítima escreveu livro sobre a mortes dos três jovens e desaparecimento de João Vicor

Reprodução

Em dezembro de 2024, o MPGO denunciou formalmente os quatro policiais por homicídio qualificado. A denúncia foi assinada por quatro promotores e incluiu pedido de prisão preventiva e afastamento dos militares.

O Metrópoles não conseguiu contato com a defesa dos militares.



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Quatro policiais militares de Goiás vão a júri popular pelos assassinatos de três pessoas e pela ocultação do cadáver do adolescente João Vitor Mateus de Oliveira, de 14 anos. A decisão foi proferida no domingo (25/1) pelo juiz Lourival Machado da Costa, do Tribunal de Justiça de Goiás (TJGO). O caso foi revelado pelo Metrópoles.

Os réus são o major Fabrício Francisco da Costa, o 2º sargento Cledson Valadares Silva Barbosa, o 1º sargento Éder de Sousa Bernardes e o 3º sargento Thiago Antônio de Almeida. Eles respondem por homicídio qualificado contra Divino Gustavo de Oliveira, Matheus Henrique de Barros Melo e Marley Ferreira Nunes, além de homicídio qualificado e ocultação de cadáver no caso do adolescente João Vitor.

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João Vitor, de 14 anos, desapareceu após PM matar três jovens
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João Vitor, de 14 anos, desapareceu após PM matar três jovens

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Matheus, de 19 anos, morto pela PM, teria permitido que casa fosse usada para "esfriar" carro roubado
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Matheus, de 19 anos, morto pela PM, teria permitido que casa fosse usada para “esfriar” carro roubado

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Marley, de 17 anos, foi para a casa de Matheus depois de sair do trabalho em restaurante
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Marley, de 17 anos, foi para a casa de Matheus depois de sair do trabalho em restaurante

Arquivo pessoal

Gustavo, de 19 anos, tinha acabado de chegar na casa de Matheus, quando a PM chegou
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Gustavo, de 19 anos, tinha acabado de chegar na casa de Matheus, quando a PM chegou

Arquivo pessoal

Ao analisar o conjunto de provas reunidas ao longo da instrução, o magistrado entendeu que há materialidade dos crimes e indícios suficientes de autoria para submeter os acusados ao julgamento pelo Tribunal do Júri.

Segundo a decisão, as qualificadoras atribuídas pelo Ministério Público foram mantidas. Entre elas, a de que as vítimas teriam sido surpreendidas dentro da residência, em circunstâncias que dificultaram ou impediram a defesa, além da tese de que a morte de João Vitor teria ocorrido para assegurar a impunidade dos policiais em relação aos outros homicídios.

Relembre o caso

João Vitor desapareceu em abril de 2018, após sair de casa para jogar videogame na residência de um amigo, no bairro Solar Bougainville, em Goiânia. Na mesma noite, três jovens que estavam no local foram mortos durante uma ação do Batalhão de Choque da Polícia Militar. O corpo do adolescente, no entanto, nunca foi encontrado. O caso foi revelado pelo Metrópoles.

De acordo com as investigações, os policiais entraram na casa após a informação de que um carro furtado estaria na garagem. O veículo teria sido deixado ali para “esfriar” por um conhecido de Matheus Henrique, de 19 anos, dono da residência. Ele morava no imóvel com a avó, que não estava em casa no momento da ação policial.

Os militares alegaram que foram recebidos a tiros e que agiram em legítima defesa. As apurações, porém, apontaram divergências nessa versão. Conforme o inquérito, Divino Gustavo, de 19 anos, tentou se esconder em um quarto, mas teve a porta arrombada e foi atingido por três disparos. Marley, de 17 anos, tentou pular o muro da casa e foi morto com quatro tiros. Um vizinho relatou ter ouvido pedidos de socorro antes dos disparos.

Corpos foram encontrados em diferentes pontos da casa

As investigações indicam que João Vitor presenciou as execuções dos amigos e não teria sido morto no local. Segundo o Ministério Público, o adolescente foi colocado vivo em uma viatura policial, levado a um matagal próximo e executado a tiros. Em seguida, o corpo teria sido retirado do local e ocultado.

Uma testemunha afirmou ter visto dois veículos chegarem ao matagal com quatro homens encapuzados e uma quinta pessoa de “corpo franzino”. Ainda segundo o depoimento, um dos homens teria gritado “corre, corre”, antes de a pessoa fugir pela mata e ser atingida por disparos. No local, foram encontrados um par de chinelos de João Vitor, a carcaça de um celular e projéteis de arma de fogo.

Para os investigadores, o adolescente foi morto para evitar que denunciasse o que havia presenciado, o que asseguraria a impunidade dos autores das três primeiras mortes.

Caso ganhou repercussão após reportagem do Metrópoles

Conhecido como “Chacina do Solar Bougainville”, o caso ficou anos sem avanços. A investigação só foi retomada após a publicação de uma reportagem do Metrópoles, em agosto de 2021, que revelou a paralisação do inquérito e a angústia da família de João Vitor. Após a repercussão, o Ministério Público de Goiás determinou a retomada das apurações e cobrou a investigação conjunta das mortes e do desaparecimento.

Familiares das vítimas se organizaram no movimento Mães Pela Paz. A avó de Matheus Henrique, Maria Ramos, escreveu um livro sobre o caso, intitulado Por que não me sinto segura dentro da minha própria casa?

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Avó de vítima escreveu livro sobre a mortes dos três jovens e desaparecimento de João Vicor

Mortes e desaparecimento são lembrados por familiares
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Em dezembro de 2024, o MPGO denunciou formalmente os quatro policiais por homicídio qualificado. A denúncia foi assinada por quatro promotores e incluiu pedido de prisão preventiva e afastamento dos militares.

O Metrópoles não conseguiu contato com a defesa dos militares.

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