Praia com água suja: como escapar da cilada no verão

Carioca que não vai à praia no verão está sendo carioca do jeito errado. O problema é quando a expectativa para tomar um refrescante banho de mar vira uma decepção. Lixo, restos de vegetação e até mesmo inimigos “invisíveis” podem transformar a festa em um enterro. Por isso, é fundamental checar as condições de balneabilidade.

A principal maneira de conferir as condições de banho é por meio do boletim do Instituto Estadual do Ambiente (Inea), no site do órgão, e também nas reportagens sobre a previsão do tempo publicadas pelo TEMPO REAL aos fins de semana. O biólogo Mário Moscatelli explicou por quê muitas praias ficam impróprias para o banho.

“Por conta de um descuido histórico em relação às galerias de águas pluviais, ao sistema de esgotamento sanitário, muitas praias se tornaram imprópias e outras tantas eventualmente impróprias. Exemplo claro dessa situação é do trecho da praia da Barra entre o Quebra-Mar e o Pepê, há décadas contaminado pela ausência da universalização do saneamento básico”, disse.

Praia com água suja: como escapar da cilada no verãoPraia com água suja: como escapar da cilada no verão
Muitas vezes, banhistas são surpreendidos por lixo na água – Foto: Tempo Real

Entretanto, Moscatelli mencionou que a situação está mudando para melhor, muito em decorrência do Marco Legal do Saneamento Básico. Ainda assim, o biólogo destacou que é muito importante o banhista verificar as condições de balneabilidade, monitorada por órgãos como o Inea, para não se aventurar em águas poluídas por algum tipo de agente contaminante.

“É fundamental o banhista ter esse cuidado justamente para evitar que o momento de lazer se torne um momento de doença. Essa situação progressivamente vem sendo modificada, como nós observamos, por exemplo, na praia do Flamengo, mas há muito trabalho a se fazer”, complementou.

Boletim de balneabilidade nas praias do Inea

O monitoramento da balneabilidade é feito por técnicos que percorrem o litoral fluminense coletando amostras de água do mar. Essa água é colhida em pontos em que seu nível médio é de 1m, mesma profundidade dos trechos em que a maioria dos banhistas se concentra.

Para fazer a coleta, os técnicos utilizam frascos de plástico de 100 ml de capacidade. Após a coleta, as amostras são preservadas a uma temperatura de até 8°C e analisadas em laboratório em, no máximo, 24 horas.

A avaliação das condições de balneabilidade das praias é feita com base na resolução Conama 274/2000, onde são verificados os níveis de bactérias de origem fecal (enterococos) nessas amostras coletadas de água.

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Muitas vezes, banhistas são surpreendidos por lixo na água – Foto: Tempo Real

Uma praia é considerada imprópria para banho se a última amostra apresentar mais de 400 NMP (Número Mais Provável) de enterococos por 100 mililitros de água, ou se, nas últimas cinco coletas, dois ou mais resultados ultrapassarem o limite de 100 NMP. Para ser considerada própria, a concentração de enterococos na água deve ser inferior a 100 NMP nas coletas realizadas.

Dentre os diversos fatores que podem afetar na balneabilidade de uma praia podem-se destacar: a localização geográfica da praia (praias no interior de baías e praias oceânicas), a pluviosidade (incidência de chuvas), a proximidade com o deságue de rios e canais, e o extravasamento de galerias pluviais.

O Inea monitora as praias do Rio de Janeiro e de Niterói duas vezes por semana e os resultados são disponibilizados no portal do órgão ambiental estadual.



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