

A presença dos deputados Yuri Moura e Dani Monteiro, ambos do PSOL, em um jantar organizado pelo presidente da Alerj, Rodrigo Bacellar (União), caiu como uma bomba no partido. O encontro, realizado no último dia 9 em um restaurante, reuniu os aliados mais próximos de Bacellar, que é também o primeiro na linha sucessória de Cláudio Castro (PL) e pré-candidato com apoio de partidos da direita fluminense. As informações são de Berenice Seara/Tempo Real.
Nos bastidores do PSOL, o episódio gerou reações de desconforto e críticas. A bancada do partido na Alerj já articula uma reunião, após o recesso, para discutir a participação no evento. “Se houver uma convocação do presidente da Assembleia para discutir qualquer assunto que seja do interesse da bancada e que tenha repercussão nas pautas que defendemos, o PSOL deve estar presente”, ponderou o deputado Flávio Serafini, presidente estadual do partido. “Mas é preciso ter clareza sobre se o evento é político institucional ou político eleitoral”, acrescentou.
O jantar aconteceu em meio à crise provocada pela demissão do ex-secretário Washington Reis (MDB), exonerado por Bacellar durante interinidade no governo. O encontro marcou a confirmação de que Castro não reverteria a demissão, gesto que consolidou a pré-candidatura de Bacellar ao governo estadual.
Em nota, o líder da bancada do PSOL, Yuri Moura, justificou a presença no jantar como “respeito institucional e compromisso com o acompanhamento crítico das ações do Executivo”. Ele destacou que temas relevantes, como a crise na Secretaria de Meio Ambiente, estiveram em pauta. “Temos cobrado e denunciado a falta de transparência na secretaria. Inclusive, o primeiro pedido de convocação de Washington Reis partiu da nossa bancada”, afirmou.
Yuri ainda argumentou que a participação, mesmo em evento com maioria da base governista, “fortalece o papel fiscalizador da bancada e contribui para um ambiente político mais democrático”. Na visão dele, a condução da presidência da Alerj tem permitido um espaço de diálogo com a oposição, o que “precisa ser valorizado e refletido”.
Mesmo com a defesa pública, o desconforto persiste em setores do partido. Internamente, cresce a avaliação de que o PSOL precisará estabelecer limites claros para interações com atores políticos diretamente ligados ao governo e a pré-candidaturas de direita.
