Professor condenado por pedofilia em Itajaí, que chegou a usar a tribuna da Câmara para atacar a deputada Ana Campagnolo (PL), está preso por crimes sexuais contra uma aluna de 15 anos. A prisão reacendeu o debate sobre a instalação de câmeras em salas de aula, bandeira defendida por Campagnolo e duramente criticada pelo ex-vereador, hoje atrás das grades.
Clique e receba notícias do Jornal Razão em seu WhatsApp: Entrar no grupo
Do ataque político à condenação
Em 2018, ainda no exercício do mandato em Itajaí, o professor chamou a deputada de “psicopata” ao discursar contra sua proposta de permitir que estudantes registrassem abusos em sala de aula. Campagnolo defendia que pais e mães tinham o direito de saber o que acontecia dentro das escolas e sugeria a instalação de câmeras para garantir fiscalização.
Anos depois, o mesmo político foi condenado por estupro de vulnerável, pornografia infantil e divulgação de conteúdo íntimo. Ele usava uma “caneta espiã” para filmar atos sexuais com uma adolescente de 15 anos e arquivava fotos e vídeos em casa. Parte do material foi exibida a terceiros, e outras alunas também denunciaram assédio.
Campagnolo reforça defesa das câmeras
Após a prisão, Campagnolo voltou a destacar a importância de mecanismos de fiscalização. Em suas redes sociais, escreveu: “Esse é o tipo de professor que não quer câmeras em sala de aula”. Para a deputada, os ataques recebidos no passado vieram justamente de quem tinha interesse em manter um ambiente sem controle.
Ela criticou ainda o bloqueio de projetos de lei que tratam da instalação obrigatória de câmeras, defendendo que a medida protege crianças e adolescentes de abusadores e resguarda os professores que trabalham corretamente.
Silenciamento de vítimas
Ex-alunas afirmaram que denúncias contra o professor já circulavam desde 2015, mas foram ignoradas. Muitas adolescentes, que poderiam ser filhas de qualquer família catarinense, se sentiram desacreditadas e ficaram expostas a um ciclo de violência. A prisão, decretada apenas em 2025, trouxe alívio tardio às vítimas, mas escancarou o quanto o silêncio dentro das escolas favorece abusadores.
Debate em Santa Catarina
O caso reacendeu a polarização em torno do tema. De um lado, setores de esquerda alegam invasão de privacidade. De outro, defensores como Campagnolo sustentam que a medida é essencial para coibir crimes e garantir transparência às famílias.
A prisão do ex-vereador que atacou publicamente a deputada acabou se tornando um símbolo dessa disputa. Para Campagnolo, trata-se da prova de que os maiores opositores da fiscalização são justamente os que têm algo a esconder.

