
A Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro analisa o Projeto de Lei nº 5357/2025, de autoria do deputado Rodrigo Amorim, que institui o Programa de Saúde Mental para pessoas que se consideram pais e mães de “bebês reborn”. A proposta tem como objetivo oferecer acompanhamento psicológico e ações de acolhimento para prevenir transtornos psíquicos, depressão e suicídio nesse público específico. Recentemente foi aprovada na Câmara do Rio projeto que cria o “Dia da Cegonha Reborn”, do vereador Vitor Hugo (MDB).
Conforme o texto, o programa será implementado por meio de parcerias com organizações não governamentais, universidades, instituições de ensino, órgãos públicos e demais setores da sociedade civil. As ações incluem orientação sobre os riscos do uso excessivo dos bonecos hiper-realistas como mecanismo de fuga da realidade.
“O acolhimento integral visa conscientizar e orientar essas pessoas para que busquem atendimento especializado, prevenindo a dependência afetiva do objeto”, explica a justificativa do projeto assinada pelo deputado Rodrigo Amorim.
A proposta prevê ainda a criação de protocolos elaborados por uma equipe multidisciplinar formada por psicólogos, terapeutas, assistentes sociais e outros profissionais que possam contribuir para o desenvolvimento do programa. Também será possível a coleta de dados para a elaboração de relatórios anuais, com o objetivo de subsidiar futuras políticas públicas na área de saúde mental.
Segundo o projeto, o programa busca atender especialmente aqueles que já apresentem sintomas de sofrimento psíquico. “A intenção é prevenir o agravamento de quadros depressivos e a possibilidade de suicídio, além de trabalhar estratégias de aceitação e enfrentamento em conjunto com o núcleo familiar”, destaca o parlamentar.
Os “bebês reborn”, conforme definido no projeto, são bonecas artísticas hiper-realistas que imitam todas as características físicas de um bebê real, incluindo textura da pele, cabelo e peso. Popularizadas nos anos 1990, essas peças podem custar entre R$ 500 e R$ 10 mil, dependendo da personalização.
O projeto aponta que, apesar do uso terapêutico possível dos “bebês reborn”, o excesso pode indicar uma necessidade de apoio psicológico. “Elas podem servir como ferramenta de apoio emocional em casos de luto ou estresse, mas não devem substituir relações reais nem gerar dependência afetiva”, ressalta Rodrigo Amorim.
O projeto aguarda agora tramitação nas comissões temáticas da Alerj, onde será avaliada a sua viabilidade e impacto para a rede de saúde pública do estado.
