PT convoca ato em Florianópolis contra “massacre da população negra” após operação no RJ

O Partido dos Trabalhadores (PT) de Florianópolis anunciou um ato público para esta sexta-feira (31), às 17h, em frente ao Terminal Integrado do Centro (Ticen). A mobilização é um protesto contra o que o partido classificou como “massacre da população negra” ocorrido durante a Operação Contenção, ação policial nos complexos do Alemão e da Penha, no Rio de Janeiro, que deixou mais de 120 mortos — a operação mais letal da história do país.




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Operação deixou mais de 100 mortos/ imagem: divulgação

Crise política e judicial após a operação

A ação no Rio gerou uma crise política e jurídica que levou o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), a determinar que o governador Cláudio Castro (PL) apresente explicações detalhadas sobre o caso, dentro da ADPF 635 (ADPF das Favelas). Moraes também marcou uma audiência presencial para o dia 3 de novembro, com autoridades da segurança pública fluminense, o Ministério Público e o Tribunal de Justiça do Rio.

Cláudio Castro e Alexandre de Moraes

Mobilizações nacionais sob o lema “A favela quer viver”

Enquanto o STF cobra respostas, o PT e movimentos de esquerda organizam atos em várias capitais, como Florianópolis, São Paulo, Belo Horizonte, Porto Alegre e Recife, com o lema “A favela quer viver”. O diretório municipal do partido em Florianópolis publicou nota nas redes sociais convocando militantes e movimentos aliados para um “grande ato contra a chacina no Rio de Janeiro”, destacando que a violência policial também é realidade em Santa Catarina.

Imagem ilustrativa

“O povo preto periférico não aguenta mais a violência promovida pelo Estado, seja no Rio ou aqui em Florianópolis”, diz a nota. “Comunidades como o Mocotó, Horácio e Monte Cristo também têm sido alvo de ações policiais violentas.”

PT defende combate ao crime com inteligência

O partido defende que o enfrentamento ao crime organizado não pode ser pautado por execuções sumárias, mas por inteligência e integração de forças. “O crime organizado se combate com inteligência e integração de esforços. Chega de violência e execuções sumárias!”, conclui o comunicado.

Pressão sobre o governador Cláudio Castro

A convocação do ato ocorre no mesmo momento em que Cláudio Castro enfrenta forte pressão política e judicial. O líder do PT na Câmara, Lindbergh Farias (RJ), protocolou uma notícia de fato no STF pedindo a abertura de inquérito criminal contra Castro por homicídio doloso (dolo eventual), corrupção passiva, prevaricação, abuso de autoridade, improbidade administrativa e crime de responsabilidade.

Lindbergh Farias

O deputado também solicitou o afastamento cautelar do governador, alegando que ele “assumiu conscientemente o risco das mortes em massa” e tratou o resultado da operação como “preço político a pagar”.

Defesa e reação do governo do Rio

Em defesa, Cláudio Castro classificou a operação como um “sucesso”, afirmando que as forças de segurança neutralizaram chefes do Comando Vermelho e impediram uma expansão do crime organizado. Ele criticou o governo federal por negar apoio logístico e o envio de blindados, afirmando que o Rio está “sozinho na guerra contra o crime”.

Cláudio Castro, governador do Rio de Janeiro

“Quem quiser somar com o Rio de Janeiro nesse momento no combate à criminalidade é bem-vindo. Os outros, que querem fazer politicagem, nosso recado é: suma. Ou soma ou suma”, declarou Castro.

Juristas ligados ao governo do Rio consideram as exigências do STF “abusivas e inconstitucionais”, apontando interferência na autonomia dos estados e ingerência do Judiciário na política de segurança pública, que seria prerrogativa do Executivo.

Repercussões em Santa Catarina

Ana Paula Lima

As críticas também ecoaram em Santa Catarina. A deputada federal Ana Paula Lima (PT-SC) afirmou em rede social que o episódio representa o “rastro nefasto do bolsonarismo” e uma “política de morte” conduzida pelo governo de Cláudio Castro. “A tragédia patrocinada pelo governo do Rio de Janeiro é o rastro nefasto do bolsonarismo e de tudo o que ele prega. Agora, querem migrar para Santa Catarina”, publicou.

Jorginho Mello defende união entre estados

Jorginho Mello

Enquanto isso, o governador Jorginho Mello (PL) adotou posição oposta, defendendo uma união entre os estados para enfrentar o crime organizado. Em vídeo enviado ao Jornal Razão, Jorginho afirmou:

“Os estados precisam estar unidos para enfrentar o crime organizado. Hoje, o Rio de Janeiro, se a coisa não for contida, amanhã vai se espalhar pelo Brasil. Não é união ideológica ou partidária, é uma união operacional da sociedade contra o crime organizado.”

O governador confirmou presença em reunião com outros governadores no Rio de Janeiro para discutir integração de inteligências, estratégias e operações conjuntas.

A operação mais letal da história do Brasil

Operação no Rio

A Operação Contenção, deflagrada em 28 de outubro, envolveu mais de 1.000 agentes e tinha como objetivo capturar líderes do Comando Vermelho. Segundo dados oficiais, 121 pessoas morreram, entre elas moradores e suspeitos, o que provocou forte reação de organismos de direitos humanos, partidos de oposição e até setores do Judiciário.

O governo do Rio classificou a operação como “exitosa”, mas especialistas em segurança apontam que o episódio é uma das maiores tragédias da história recente do Brasil, reacendendo o debate sobre letalidade policial, autonomia dos estados e os limites da intervenção judicial.

Florianópolis no centro da mobilização nacional

Imagem ilustrativa

A manifestação marcada para esta sexta-feira (31) em Florianópolis integra um movimento nacional de protesto contra a política de confronto adotada pelo governo fluminense. Enquanto setores da esquerda denunciam uma “política de morte”, governadores do Sul e Sudeste discutem estratégias de cooperação para conter o avanço do crime organizado no país.



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