“Querem me matar”: PMSC retira porte de arma de “Policial Ramos”, em Itapema

O Comando-Geral da Polícia Militar de Santa Catarina (PMSC) revogou o porte de arma de fogo do cabo da reserva remunerada Saulo Salustiano Ramos Neto (PP), o “Policial Ramos”, que atualmente cumpre seu primeiro mandato como vereador em Itapema. A decisão foi assinada pelo comandante-geral coronel Emerson Fernandes e publicada no dia 7 de agosto de 2025.




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A medida é resultado de um Inquérito Policial Militar instaurado após uma Verificação Preliminar de Informação, procedimento usado para verificar denúncias ou indícios de irregularidades antes da abertura formal de um inquérito. Segundo a apuração interna, Ramos teria cometido condutas consideradas incompatíveis com a manutenção do porte de arma, como incitar a prática de crimes (artigo 286 do Código Penal), utilizar uniforme e equipamentos da corporação estando na inatividade e expor de forma indevida pessoas sob custódia — prática enquadrada como abuso de autoridade pela Lei nº 13.869/2019.

O documento oficial também faz referência ao Estatuto do Desarmamento e a normas internas da PMSC. Determina que a Corregedoria recolha a identidade funcional do militar, que garante a autorização de porte para policiais inativos, e que sejam apreendidas todas as armas de fogo registradas em nome de Ramos no sistema SIGAME/SIGMA, bem como os respectivos Certificados de Registro (CRAF). O material será armazenado na reserva de armas do 31º Batalhão, sediado em Itapema, onde o cabo serviu.

Além disso, a portaria manda comunicar a decisão à Polícia Federal e ao Exército Brasileiro para atualização dos cadastros e possível bloqueio ou cancelamento de registros vinculados a atividades de colecionamento, tiro desportivo ou caça. O não cumprimento da ordem pode gerar responsabilização penal, militar e administrativa.

Ramos reagiu publicamente, afirmando estar sendo vítima de perseguição política. Em publicações no Instagram, chamou a decisão de “politiqueira” e acusou adversários de tentarem fragilizá-lo. “Querem me matar! Que comece a caçada, estou esperando, desarmado, todos os criminosos que antes me ameaçavam, façam o trabalho que os políticos, por não terem coragem, estão facilitando para vocês!”, declarou.

Ele disse que a suspensão do porte se baseia em “24 denúncias” extraídas de seu próprio perfil nas redes sociais, que, segundo ele, registravam prisões realizadas enquanto atuava para “defender o povo de Itapema”. O vereador afirmou que já recebeu diversas ameaças contra si e sua família e acusou opositores de trabalhar “nas entrelinhas” para enfraquecê-lo. “Só depois de morto vou parar de lutar por Itapema. Estou desarmado, tentem a sorte”, afirmou.



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