O servidor da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) Christian Perillier Schneider afirmou que o ex-diretor do órgão, Alexandre Ramagem, mantinha uma sala no segundo andar do Palácio do Planalto, onde despachava com o então presidente Jair Bolsonaro (PL).
Schneider depôs na tarde desta segunda-feira (26/5) como testemunha de defesa do ex-ministro do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), general Augusto Heleno, no processo que apura uma suposta tentativa de golpe de Estado.
O servidor, que ocupou cargo de coordenador na agência, confirmou que, apesar de a Abin estar vinculada ao GSI durante o governo Bolsonaro, Ramagem tinha uma sala no Planalto e despachava diretamente com o ex-presidente — muitas vezes, segundo ele, sem o conhecimento do próprio general Heleno.
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A estrutura da Abin estava integrada ao GSI desde 2016, mas deixou de estar a partir de março de 2023. Questionado pela defesa de Heleno, Schneider afirmou que havia, sim, agendas entre Ramagem e Bolsonaro, e que essas reuniões nem sempre passavam pelo chefe do GSI.
“Com certeza havia [agendas entre Ramagem e Bolsonaro]. Eu fazia parte da chefia de gabinete da Abin. O diretor Ramagem, normalmente, tinha um despacho semanal — ou na segunda-feira à tarde ou na terça de manhã — com o ministro Heleno. Mas ele também tinha uma sala no Planalto para tratar de assuntos diretamente com o ex-presidente. Muitas vezes, despachava sem que o ministro Heleno sequer soubesse”, afirmou.
Schneider declarou que nunca teve conhecimento de qualquer tratativa, por parte de Heleno, relacionada a tentativa de golpe de Estado. O servidor também destacou que a Abin não tem prerrogativas legais para infiltrar agentes em outros órgãos, uma vez que não existe uma lei que regulamente essa prática no Brasil.
“Talvez possa ocorrer o que chamamos de recrutamento de fonte. É nada mais que alguém que está naquele ambiente e pode trocar informações com agente da Abin para troca de informações legais. Mas, a entrada de agentes é proibida. A Rússia, por exemplo, coloca um agente por oito, 10 anos. É proibido no Brasil”, ressaltou o servidor.
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Arthur Menescal/Especial Metrópoles

Marcelo Queiroga foi ministro de Bolsonaro durante a pandemia de Covid-19
Igo Estrela/Metrópoles

VINÍCIUS SCHMIDT/METRÓPOLES @vinicius.foto
VINÍCIUS SCHMIDT/METRÓPOLES @vinicius.foto
O general Augusto Heleno, ministro-chefe do GSI no governo Bolsonaro
Hugo Barreto/Metrópoles
General Heleno foi chefe do GSI no governo Bolsonaro
Hugo Barreto/Metrópoles
Hugo Barreto/Metrópoles
Papel de Augusto Heleno
Ao denunciar Augusto Heleno, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, afirmou que o general integrou uma organização criminosa que atuou para manter Bolsonaro no poder.
Gonet destacou, na denúncia apresentada em fevereiro deste ano, que, em uma reunião realizada em 2022, Heleno teve como objetivo disseminar informações falsas contra o sistema eleitoral.
Uma das provas encontradas pela Polícia Federal (PF) na investigação contra o general é uma agenda apreendida na Operação Tempus Veritatis, que continha anotações sobre um plano para descredibilizar as urnas eletrônicas.
Após ser denunciado, Augusto Heleno comparou o processo aos casos da Operação Lava Jato e afirmou que a competência seria da Justiça Federal de 1° grau em Brasília, e não do Supremo.
“Em situação processual muito similar, o atual Presidente da República foi, no passado, denunciado e julgado em primeira instância pela Justiça Federal de Curitiba por fatos ocorridos durante seu mandato e em razão do mandato, mas, por não ser mais presidente, foram julgados e processados em primeiro grau. Tal qual na presente situação, onde os fatos ocorreram durante o mandato e em função, mas os denunciados não exercem mais o cargo no momento da denúncia!”, apontaram os advogados de Heleno.
O servidor da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) Christian Perillier Schneider afirmou que o ex-diretor do órgão, Alexandre Ramagem, mantinha uma sala no segundo andar do Palácio do Planalto, onde despachava com o então presidente Jair Bolsonaro (PL).
Schneider depôs na tarde desta segunda-feira (26/5) como testemunha de defesa do ex-ministro do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), general Augusto Heleno, no processo que apura uma suposta tentativa de golpe de Estado.
O servidor, que ocupou cargo de coordenador na agência, confirmou que, apesar de a Abin estar vinculada ao GSI durante o governo Bolsonaro, Ramagem tinha uma sala no Planalto e despachava diretamente com o ex-presidente — muitas vezes, segundo ele, sem o conhecimento do próprio general Heleno.
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“Com certeza havia [agendas entre Ramagem e Bolsonaro]. Eu fazia parte da chefia de gabinete da Abin. O diretor Ramagem, normalmente, tinha um despacho semanal — ou na segunda-feira à tarde ou na terça de manhã — com o ministro Heleno. Mas ele também tinha uma sala no Planalto para tratar de assuntos diretamente com o ex-presidente. Muitas vezes, despachava sem que o ministro Heleno sequer soubesse”, afirmou.
Schneider declarou que nunca teve conhecimento de qualquer tratativa, por parte de Heleno, relacionada a tentativa de golpe de Estado. O servidor também destacou que a Abin não tem prerrogativas legais para infiltrar agentes em outros órgãos, uma vez que não existe uma lei que regulamente essa prática no Brasil.
“Talvez possa ocorrer o que chamamos de recrutamento de fonte. É nada mais que alguém que está naquele ambiente e pode trocar informações com agente da Abin para troca de informações legais. Mas, a entrada de agentes é proibida. A Rússia, por exemplo, coloca um agente por oito, 10 anos. É proibido no Brasil”, ressaltou o servidor.
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Uma das provas encontradas pela Polícia Federal (PF) na investigação contra o general é uma agenda apreendida na Operação Tempus Veritatis, que continha anotações sobre um plano para descredibilizar as urnas eletrônicas.
Após ser denunciado, Augusto Heleno comparou o processo aos casos da Operação Lava Jato e afirmou que a competência seria da Justiça Federal de 1° grau em Brasília, e não do Supremo.
“Em situação processual muito similar, o atual Presidente da República foi, no passado, denunciado e julgado em primeira instância pela Justiça Federal de Curitiba por fatos ocorridos durante seu mandato e em razão do mandato, mas, por não ser mais presidente, foram julgados e processados em primeiro grau. Tal qual na presente situação, onde os fatos ocorreram durante o mandato e em função, mas os denunciados não exercem mais o cargo no momento da denúncia!”, apontaram os advogados de Heleno.
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