Rejeição a Lula é maior que aprovação, diz Datafolha

A rejeição ao governo Lula (PT) continua maior que a aprovação, mesmo depois de uma leve recuperação nos índices positivos. Segundo pesquisa Datafolha divulgada na quinta-feira 4, 38% dos brasileiros consideram a gestão ruim ou péssima, contra 29% que a classificam como ótima ou boa. A avaliação regular ficou em 32%. Embora a aprovação tenha subido cinco pontos desde fevereiro, a maioria dos eleitores segue insatisfeita com o governo petista.

Mesmo com a leve alta na aprovação, o Planalto ainda enfrenta desgaste. A rejeição segue numericamente maior que a aprovação em todas as faixas de renda, exceto no Nordeste.

Desgaste se aproxima de níveis do escândalo do mensalão

O levantamento ouviu 3 mil pessoas em 172 municípios, entre os dias 1º e 3 de abril, com margem de erro de dois pontos porcentuais. A pesquisa confirma que este é o segundo pior momento do governo Lula desde o início do mandato, atrás apenas de fevereiro.

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O atual patamar é comparável ao registrado durante o escândalo do mensalão, em 2005, quando o petista oscilava em torno de 28%. A rejeição agora supera inclusive a média de reprovação de Jair Bolsonaro (PL) em momentos críticos da pandemia, quando ele enfrentava 45% de avaliação negativa.

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Inflação, Pix e crise de comunicação prejudicam imagem

Entre os fatores que pressionam a imagem do governo estão a alta no preço dos alimentos e o temor de uma taxação do Pix. Para reagir, o presidente nomeou Sidônio Palmeira para chefiar a Secom, em uma tentativa de reposicionar a narrativa do governo.

Mesmo assim, a mudança ainda não surtiu efeito. Parlamentares aliados reconhecem que a base do governo está instável e que a rejeição se mantém alta mesmo entre públicos que tradicionalmente apoiaram Lula.

Confiança no futuro do governo também caiu

A pesquisa mostra um cenário ainda mais preocupante ao medir a expectativa para o restante do mandato. Pela primeira vez desde a posse, os eleitores que esperam um governo ruim se igualaram aos que ainda têm esperança de uma boa gestão, com 35% em cada grupo. Outros 28% disseram esperar uma administração regular.

No início de 2023, 50% dos entrevistados tinham expectativas positivas em relação ao governo. Hoje, esse número caiu drasticamente.

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Nordeste sustenta Lula, mas rejeição avança em todo o país

A região Nordeste segue como bastião de apoio a Lula, com 38% de aprovação. No entanto, o índice é bem inferior aos 49% registrados em dezembro de 2024. No Sudeste, a aprovação subiu de 20% para 25%, mas a rejeição ainda supera os 40% em vários Estados.

Entre mulheres, o apoio subiu para 30%, mas segue distante dos 38% do fim do ano passado. Já entre eleitores com renda de até dois salários mínimos, a taxa de aprovação chegou a 30% — um ponto acima do levantamento anterior, mas ainda abaixo do histórico da base petista.

Eleitores mais instruídos impulsionam reação

A recuperação mais expressiva ocorreu entre eleitores com ensino superior, onde a aprovação saltou de 18% para 31%. Também houve melhora entre os que ganham de dois a cinco salários mínimos (de 17% para 26%) e nas faixas superiores de renda, onde o índice subiu de 18% para 31%.

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Governo Lula aposta em propaganda bilionária para tentar conter rejeição

Diante da dificuldade de melhorar a percepção popular, o governo prepara uma campanha publicitária de R$ 3,5 bilhões, que deve envolver ministérios, bancos públicos e estatais. A meta é destacar os feitos dos dois primeiros anos e reduzir os índices de insatisfação, revelou o jornal Folha de S.Paulo.

Na quinta-feira, o Planalto realizou o evento “Brasil Dando a Volta por Cima”, liderado por Sidônio Palmeira. O encontro teve clima de comício, com vídeos promocionais, discursos e um slogan que tenta resgatar o otimismo perdido.



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